·Fernando del Cantão·Mano Menezes: Um Desafio no Comando da Seleção do Peru
Mano Menezes, o gaúcho que sempre teve uma cara de bravo, está vivendo uma fase totalmente diferente em sua carreira. Completando 64 anos nesta quinta-feira, ele aceitou a missão de reconstruir a seleção do Peru e levá-la para a Copa do Mundo de 2030. Uma chance de jogar o Mundial que não teve a oportunidade de disputar!
Um Pouquinho do Passado
Depois da recusa de Muricy, Mano foi chamado para assumir a seleção brasileira logo depois do Mundial de 2010. Ele foi o primeiro técnico a convocar Neymar, mas a pressão foi grande e a situação não era fácil. O que causou sua saída não foram os resultados, mas sim a troca de comando na Confederação. "Todo técnico fica frustrado quando não consegue concluir um trabalho", disse Mano em uma entrevista exclusiva ao UOL Esporte. O trágico 7 a 1 que o Brasil sofreu na Copa de 2014 ficou marcado como uma das maiores vergonhas do futebol mundial.
Uma Larga Caminhada nos Clubes
Nos anos seguintes, Mano passou por vários clubes gigantes do Brasil. Ele teve suas oportunidades, mas talvez tenha pegado o Flamengo logo antes da fase boa e no Palmeiras não teve tempo suficiente para engrenar. Ele fala da expectativa dos torcedores brasileiros: "Eles acham que todos os técnicos podem ser campeões, e isso não é bem assim. Flamengo e Palmeiras estão sempre prontos. Se o Corinthians fizesse o mesmo, poderia ser uma potência também".
Mano também alfineta Abel Ferreira, destacando que futebol no Brasil exige que você se comporte de certas maneiras. "Para sobreviver aqui, a gente precisa se adaptar ao que as pessoas esperam", completa, com um sorriso.
Um Novo Começo no Peru
Ao assumir a seleção peruana, Mano está encarando um cenário novo. O mercado brasileiro está mais fechado, então ele se aventura em um projeto com uma responsabilidade enorme. "Os peruanos são muito carinhosos e apaixonados pela seleção deles. Lima é uma boa cidade para viver, e o futebol traz um espaço de alegria em momentos difíceis", conta Mano.
Apesar de a Conmebol ainda não ter definido o formato das eliminatórias para 2030, sabe-se que todos os países vão se enfrentar em jogos de ida e volta. Com Argentina, Uruguai e Paraguai já garantindo vagas, os outros sete vão brigar por três vagas e meia. Além disso, está sendo planejada uma "Liga das Nações das Américas", que deve juntar seleções da Conmebol e da Concacaf.
Olhos no Futuro
"Nós estaremos em 2030", afirma Mano, cheio de confiança. Ele sabe que o processo de reconstrução não é fácil e que alguns jogadores veteranos não estarão mais em forma para o próximo ciclo. "Estamos buscando novos talentos que possam nos ajudar", completa.
Recentemente, em um amistoso em Miami, o Peru virou o jogo contra o Haiti e venceu por 2 a 1. Contudo, na noite seguinte, levou uma derrota de 3 a 1 da Espanha. Para Mano, Espanha e França são as favoritas para a Copa de 2026.
Uma Equipe de Peso ao Lado
Mano está acompanhado de uma equipe incrível: Sydney Lobo, que é seu parceiro de longa data; Fernando Lázaro, que já foi assistente de Tite; Bruno Mazziotti, um especialista na parte física que trabalha em Valladolid; Guilherme Rodrigues, que esteve com o Uruguai na última Copa; e Thiago Kozlowski, que ajudará com a seleção sub-20.
"O futebol é mais do que entender o jogo, é saber gerenciar muitas coisas", explica Mano, que também entende a importância de se comunicar em espanhol. "Não adianta ter um espanhol perfeito, o que conta mesmo é vencer jogos".
Brasil na Copa: Sem Pressão?
Mano não coloca o Brasil como um dos favoritos para a próxima Copa. Para ele, França e Espanha estão à frente. "O Brasil pode se tornar favorito, mas ainda está com um meio de campo um pouco solto. Não começamos como favoritos", analisa.
E assim, Mano Menezes segue com seu desafio, buscando renovar a equipe peruana e sonhando com a Copa de 2030. Vamos acompanhar!