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·Fernando del Cantão·

'Impunidade': Famílias das Vítimas do Ninho Revoltadas com Absolvições

A situação infelizmente não é nova, mas ainda assim provoca uma indignação profunda. A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu soltou uma carta lamentável após os réus do caso serem absolvidos. Vamos relembrar que esse incidente trágico ocorreu em 8 de fevereiro de 2019 e levou à morte de 10 jovens, além de deixar outros três feridos.

Sentimento de Impunidade

No documento, os familiares expressam um forte sentimento de impunidade, afirmando que essa decisão “fragiliza o mecanismo de proteção à vida e à segurança dos menores em entidades esportivas, formativas ou assistenciais no país”. Eles não estão sozinhos nessa: a revolta é palpável.

"A absolvição dos acusados, sob a justificativa de que não se conseguiu individualizar condutas ou provar um nexo causal relevante, renova em nós o sentimento de impunidade."

Além disso, a associação prometeu que vai “continuar na busca por Justiça e na esperança de que essa decisão seja reconsiderada”. O pedido para que o processo seja minuciosamente acompanhado pelos órgãos de recurso também foi reiterado.

Decisão Polêmica

A sentença do juiz Tiago Fernandes Barros, da 36ª Vara Criminal, foi divulgada no dia 21 e absolveu todos os sete réus. Os familiares não hesitaram em convocar a imprensa, entidades de direitos humanos e a sociedade como um todo a não aceitar essa decisão como um marco que justifica negligências com a segurança de crianças e adolescentes. A mensagem é clara:

"A vida dos nossos filhos tem um valor irreparável!"

A dor da família de Jorge Eduardo é um lembrete vívido desse sentimento. Eles receberam a notícia das absolvições com “profunda dor e indignação”.

"Hoje, sentimos que a justiça falhou com nossos filhos mais uma vez. [...] Seguiremos em frente, com fé e coragem, porque nossos filhos merecem justiça."

A Caminho da Justiça?

O caso já percorre os tribunais desde 2021 e, inicialmente, havia 11 denunciados. O monitor Marcus Vinicius foi absolvido e as denúncias contra o engenheiro Luiz Felipe e o ex-diretor Carlos Noval foram rejeitadas. O Ministério Público se manifestou, mas a decisão continuou a mesma.

Belo destaque: o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, saiu da lista de réus em fevereiro de 2025. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou um pedido do Ministério Público, devido ao tempo já decorrido — quatro anos — e à sua idade, que é acima de 70 anos.

Os outros réus incluem:

  • Márcio Garotti - Diretor financeiro do Flamengo (2017-2020)
  • Marcelo Maia de Sá - Diretor adjunto de patrimônio do Flamengo
  • Danilo Duarte - Engenheiro responsável técnico da NHJ
  • Fabio Hilário da Silva - Engenheiro responsável técnico da NHJ
  • Weslley Gimenes - Engenheiro responsável técnico da NHJ
  • Claudia Pereira Rodrigues - Assinante dos contratos da NHJ
  • Edson Colman - Sócio da Colman Refrigeração

Repercussão e Mobilização

A AFAVINU, que reúne familiares das vítimas do incêndio, expressou seu profundo protesto em relação à absolvição. A associação destacou a importância de a Justiça atuar não apenas como um agente punitivo, mas como um agente que ensina e previne.

“Relembramos que os jovens falecidos dormiam em contêineres improvisados, sem alvará, com falhas elétricas e outros riscos.”

E, mais importante, eles pediram que essa tragédia não seja só um capítulo triste na história, mas que leve à implementação de medidas concretas e seguras em alojamentos de atletas em todo o país para evitar novas tragédias.

Os pais clamam por um compromisso não só pelo amor ao clube, mas pela vida:

"Que o amor pelo esporte, que move milhões de corações, também signifique a segurança e a memória dos dez meninos."

Continuaremos monitorando essa triste e relevante história, porque, no final das contas, todos merecem justiça. E como nos lembrou Alba e Wanderlei, os jovens tinham sonhos, e a busca por justiça nunca deve parar!

Fonte: UOL - 'Impunidade': famílias de vítimas do Ninho se revoltam com absolvições

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