·Fernando del Cantão·Racismo no Futebol Sul-Americano: Um Câncer que Persiste
Na última terça-feira, dia 28, a história triste do racismo voltou a se repetir nas competições sul-americanas. Tivemos dois incidentes envolvendo torcedores argentinos agindo de forma racista contra brasileiros, um durante o jogo Cruzeiro x Boca Juniors, pela Libertadores, em Belo Horizonte, e outro no confronto San Lorenzo x Santos, em Buenos Aires, pela Copa Sul-Americana.
O que Rolou?
Em Belo Horizonte, um torcedor do Boca Juniors foi flagrado fazendo gestos racistas e, adivinha? Ele foi detido e agora vai enfrentar a Justiça. Já em Buenos Aires, a situação não é tão clara, pois ainda não conseguiram encontrar o torcedor culpado.
Tanto a Conmebol quanto os clubes envolvidos ainda não se manifestaram oficialmente. A única coisa que sabemos é que a Conmebol declarou que está investigando os dois casos.
Punições Implacáveis?
A Conmebol tem um Código Disciplinar que prevê punições severas para discriminação. Em abril do ano passado, logo após um caso emblemático envolvendo um jogador do Palmeiras em uma competição Sub-20, a entidade decidiu agir mais firme contra o racismo. Segundo o regulamento, os clubes ou associações envolvidos em um ato de discriminação podem ser multados em pelo menos US$ 100 mil. Esses valores eram de apenas US$ 30 mil até 2022! Se o clube repetir a dose, a multa pode chegar até US$ 400 mil!
Aqui estão algumas punições que a Conmebol pode aplicar:
- Multas
- Jogos com portões fechados
- Fechamento parcial do estádio
- Exibição de mensagens contra a discriminação
E se o crime for de um jogador ou membro do clube, a pena mínima é de dez jogos de suspensão, podendo chegar a cinco anos de proibição em casos mais sérios.
O Ciclo Vicioso
Infelizmente, esses incidentes de racismo estão longe de acabar. Os números falam por si: em média, foram 18 casos por ano entre 2023 e 2025! Marcelo Carvalho, diretor executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, acredita que as respostas da Conmebol ainda não são suficientes para frear a situação: “Aumento das punições sozinho não vai resolver o problema”, diz ele.
Ainda segundo Carvalho, a visão sobre o racismo varia muito em diferentes países sul-americanos. Na Argentina, por exemplo, a percepção é de que uma prisão por racismo no Brasil é uma "grande injustiça".
Exemplos de Casos
Dá uma olhada em alguns casos recentes:
Corinthians x Universitário-PER: O preparador físico da equipe peruana foi preso após fazer gestos racistas em direção à torcida corintiana. Sua detenção acabou revertida após pagamento de dois salários, mas ele foi suspenso por dez jogos.
São Paulo x San Lorenzo-ARG: Um dirigente argentino fez gestos racistas e, após a prisão, foi proibido de ir a estádios por dois anos. Já um torcedor jogou uma banana a uma criança e também foi preso.
Internacional x Nacional-URU: Um torcedor uruguaio imitou um macaco e, como resultado, o clube Nacional recebeu uma multa de US$ 100 mil.
A lista não termina aí! Casos de racismo estão presentes desde os primórdios da Libertadores, e parece que a situação só piora.
Reflexão Final
O racismo no futebol não é apenas uma questão de punição. É um problema social que exige educação e conscientização por parte de todos os envolvidos. Carvalho resume bem: "A Conmebol precisa trabalhar melhor a conscientização e educação. Essa parte do processo deve englobar clubes e torcedores, tornando a luta contra o racismo uma prioridade real".
Então, galera, que possamos seguir nessa luta e fazer parte da mudança! ????