·Fernando del Cantão·O Ex-Presidente Duilio Monteiro Alves Diz Adeus ao Corinthians
Duilio Monteiro Alves, que já foi presidente do Corinthians, anunciou sua saída do clube de uma forma bem direta: escreveu uma carta aberta. Nela, ele comunica que está se desligando do quadro associativo e renunciando sua posição no Conselho Deliberativo e no Conselho de Orientação (Cori). O motivo? Ele disse que o custo pessoal de continuar nesse cenário de "guerra política" ficou muito pesado para ele.
Uma Reflexão Sobre o Futuro do Corinthians
Duilio acredita que o modelo atual de associação não está mais fazendo sentido para o clube e até faz algumas considerações de como o Corinthians poderia se adaptar a uma estrutura de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Ele teve duas gestões à frente do time, de janeiro de 2021 a janeiro de 2024, e sucedeu Andrés Sanchez - que foi expulso bem recentemente - e agora deixa a bola com Augusto Melo.
As Palavras de Duilio
Na carta, ele se mostrou ciente de que algumas pessoas comemorarão sua saída, mas essa não é a visão dele. Em suas palavras:
"Muitos vão comemorar este que considero meu último gesto como sócio do Corinthians. Em breve, porém, as pessoas racionais perceberão que não há nada a festejar."
Ele explica que sua saída remete a algo sonhado por muitos, mas que, na verdade, pode ser um grande problema para o futuro do clube.
Duilio não guardou palavras ao falar sobre sua história no Corinthians, lembrando que foi seu avô quem lhe deu o título de sócio remido logo após seu nascimento. Falou também sobre as vitórias que alcançou enquanto dirigente, sempre com o intuito de fazer o melhor possível para o clube.
A Guerra Política e Seus Efeitos
Com uma crítica bem direta, Duilio fala sobre a guerra política no Corinthians que, segundo ele, deixou muitos sem visão. O clube chegou a um ponto em que não consegue ser governado. E ao invés de debater questões importantes, a situação virou um espetáculo de acusações e conflitos sobre práticas comuns em entidades com grande faturamento, como a renegociação de dívidas.
Ele não escondeu sua frustração com o ambiente atual:
"Em vez de unir o clube, algo que tentei fazer efetivamente, o que se vê hoje é um campo minado político, jurídico, midiático e institucional."
Duilio também mencionou que o modelo associativo que serviu ao Corinthians não dá mais conta de gerenciar essa gigantesca torcida de 35 milhões de fãs. Ele acredita que a modernização do estatuto é urgente, mas há quem queira manter as coisas como estão.
Reflexões Finais e Despedida
Duilio deixou algumas questões cruciais no ar, como a possível transição do clube para uma SAF e o futuro do Fiel Torcedor em relação ao voto. Ele expressou preocupação com três problemas que ele vê emergentes:
- A reforma tributária que vai encarecer a vida dos clubes.
- O aumento excessivo da dívida que foi controlada até sua saída.
- As punições que a CBF pode impor a clubes que não pagam suas contas.
Apesar de tudo, ele ressaltou que sua decisão de sair não resolve os problemas, mas sim abre caminho para o Corinthians ter um novo olhar sobre seu futuro.
Ele encerrou a carta reafirmando que não se arrepende de nada que fez, afirmando que está disposto a se defender na Justiça e deixando o tempo cuidar do resto.
"Portanto, renuncio ao meu título de sócio remido, entrego meu lugar como conselheiro vitalício e membro do CORI e me retiro, de forma definitiva, do quadro de sócios do Parque São Jorge."
E para finalizar com seu amor pelo clube, ele soltou um sonoro:
"Vai Corinthians. Sempre."