·Fernando del Cantão·Despedida de um Ídolo: Leivinha
É com um coração cheio de tristeza que escrevo sobre Leivinha, um verdadeiro ícone do futebol que foi muito mais do que um ídolo para mim; ele foi uma referência na minha vida. Quando li a notícia na coluna do Milton Neves sobre sua partida, fiquei de cara, desolado. É difícil aceitar que alguém tão especial tenha nos deixado.
O Craque do Camisa Oito
Leivinha não era apenas um jogador incrível; ele foi carinhosamente chamado de Pelé Branco. Era um camisa oito que se movia com uma elegância ímpar, deslizando pelo campo com suas passadas largas. Na verdade, o Palmeiras da primeira metade dos anos 1970, que tinha Leivinha e Ademir da Guia, foi um dos melhores times que já vi jogar.
O Estilo de Leivinha
O que mais me impressionava no Leivinha era seu senso de posicionamento. O cara tinha um tempo de bola e uma impulsão de deixar qualquer um de bocas abertas. Mesmo sem pegar muita distância, subia como um foguete para cabecear! Sem contar os cruzamentos que ele fazia, sempre perfeito.
Mas o grande destaque dele não era só seu talento em campo. O Leivinha era, acima de tudo, uma pessoa sensacional: educado, inteligente e super simpático. Mesmo sendo corintiano, sempre admirei ele, especialmente junto com outros dois grandes jogadores: Rivellino e César. Desde pequeno, eu já o considerava um dos meus ídolos.
Memórias de um Grande Jogador
Lembro nitidamente da final do Campeonato Paulista de 1974. Quando aquele cruzamento foi feito, meu coração disparou e o Leivinha, com aquele jeito dele, pulou nas costas do Brito e ajeitou para o Ronaldo marcar o gol do título contra o Corinthians. Naquele momento, eu não consegui segurar as lágrimas, mas não pela derrota do Corinthians, e sim pela admiração que sempre tive pelo Leivinha.
E a seleção brasileira? Ah, como eu queria que ele tivesse jogado mais. Fiquei muito triste quando ele se machucou na Copa de 1974, na Alemanha. Queria ver a mágica dele em ação!
Um Emocionante Reconhecimento
Quando vi a manchete do texto do Milton Neves, “Morre Leivinha, craque de um Brasil que produzia aos montes”, levei um choque. Uma tristeza imensa me atingiu. Um dos maiores elogios que recebi na vida foi de Oswaldo Brandão, um dos treinadores mais feras da história de Corinthians e Palmeiras. Apesar de nossas diferenças, ele uma vez me disse no vestiário:
"Garoto, fico te observando e me lembro de Leivinha quando era jovem. Principalmente do jeito que você cabeceia. Procure observar os vídeos dele que você irá melhorar ainda mais."
Respondi, agradecido: “Poxa, muito obrigado, Brandão! Sempre olhei o Leivinha cabecear e me inspirei nele para fazer isso.”
Uma Grande Perda
Para mim, Leivinha era muito mais que um ídolo: ele era uma referência, um mentor, um verdadeiro mestre. Aprendi com ele a saltar com impulsão, sempre me posicionando atrás dos zagueiros e aproveitando o tempo de bola. Com um professor como Leivinha, o aprendizado era garantido.
Sinto muito pela perda e envio meus sinceros sentimentos aos amigos e familiares. Nunca esquecerei a grandiosidade de Leivinha, um jogador brilhante que deixou sua marca na história do futebol.
Muito obrigado, Leivinha! Receba um beijo do seu fã que sempre vai te admirar.