·Fernando del Cantão·A Nova Realidade do Futebol: Entre Preconceitos e Desafios
O futebol brasileiro sempre teve um lugar especial no coração dos torcedores. Afinal, somos a terra do Rei Pelé e dos cinco títulos mundiais. Mas, nos últimos anos, esse glamour foi um pouco desbotado por uma sequência de eliminações que variaram de humilhantes a melancólicas. A verdade é que estamos vivendo um momento complicado, em busca do nosso hexacampeonato.
Um Mundo Mudado
Agora, estamos diante de uma Copa do Mundo que não apenas terá 48 times, mas onde as coisas não são tão simples como antes. Não somos mais os favoritos e, para piorar, a seca de estrelas é tão grande que Neymar foi convocado mais uma vez.
E esta Copa se apresenta como a "Copa da Exclusão". O que isso significa? Bem, a lista de problemas é longa e cheia de exemplos para nos preocupar: Irã, Iraque, Uzbequistão, até árbitros da Somália. Recentemente, Senegal foi revistado de forma constrangedora na pista de pouso. Sem contar as violências individuais, como a que sofreu a jornalista da Globo, Karine Alves, que teve seu cabelo revistado ao chegar nos Estados Unidos. O racismo parece ter se instalado de forma descarada por lá, e a gente não pode fechar os olhos.
Xenofobia em Campo?
Não dá para saber até onde isso vai escalar durante o torneio, mas a partida não amistosa entre a seleção feminina do Brasil e as americanas deixou claro que a xenofobia pode sim entrar em campo. A equipe de arbitragem espanhola simplesmente desandou durante a partida, e isso gerou discussões sobre se os erros eram frutos de baixa qualidade técnica ou algo mais profundo. Foi nesse contexto que Arthur Elias, um dos oito brasileiros expulsos na última terça (9), acusou a juíza de agir com xenofobia. A indignação da comissão técnica e das jogadoras era visível, assim como a conivência com a violência das norte-americanas.
E tudo isso aconteceu bem diante de uma torcida de mais de 55 mil pessoas no Castelão. Pode imaginar o clima?
Um Cenário Complexo
Diante dos movimentos elitistas da FIFA e da xenofobia exacerbada dos Estados Unidos sob a administração de Trump, seria surpreendente ver seleções ocidentais e mais favorecidas sendo tratadas de forma diferente na "Copa da Inclusão"? E, na prática, parece que sim. Elas já estão sendo beneficiadas, recebendo um tratamento que muitas vezes não é dado a adversárias de outras partes do mundo.
Fábio Cannavaro, o técnico da seleção do Uzbequistão, não conseguiu proteger seus jogadores da humilhação de ter suas mochilas revistadas por cães farejadores em Nova York, enquanto a Holanda entrava tranquilamente em campo para o amistoso. E, sinceramente, ter Carlo Ancelotti à frente da seleção não deve mudar muito esse cenário.
O que nos aguarda?
Mesmo que a xenofobia não apareça tão visivelmente dentro de campo, a verdade é que ela já acabou com a igualdade de condições na competição há muito tempo. Resta saber como o Brasil se sairá nesse clima tenso e conturbado.
Fiquem atentos e vamos torcer pelo nosso hexacampeonato, mas sem esquecer das realidades fora das quatro linhas. Vamos em frente!