·Fernando del Cantão·O Legado de Mehdi Faria: Um Brasileiro que Mudou a História do Futebol no Marrocos
Quando a seleção brasileira entra em campo na Copa do Mundo, muitas histórias são trazidas à tona. Uma das mais inspiradoras é a de Mehdi Faria, ou melhor, José Faria, um ex-jogador brasileiro que virou lenda do futebol marroquino. Vamos entender um pouco mais sobre o impacto que esse cara teve no mundo do futebol, especialmente no Marrocos, onde é venerado até hoje!
De José Faria a Mehdi Faria
José Faria pode não ter feito seu nome no Brasil, mas quando se mudou para o Marrocos, ele se tornou Mehdi Faria, um verdadeiro ícone. Em 1986, sob sua liderança, o Marrocos fez história ao se tornar a primeira seleção africana a passar da fase de grupos em uma Copa do Mundo no México. E que feito! Ele pode não ter recebido o reconhecimento em casa e faleceu em 2013, mas o status de lenda no Marrocos é indiscutível.
Mustapha El Hadaoui, um dos jogadores daquele torneio, não hesita em dizer: "Mehdi Faria é uma lenda do futebol do Marrocos. Um mestre da estratégia. Ele foi nosso mentor, nosso guia e proporcionou a nós a chance de viver uma nova era no futebol".
O Impacto Duradouro do Treinador
Esse feito histórico ainda ressoa no futebol marroquino de hoje. Além da semifinal de 2022, o país teve outras participações notáveis, mas em toda a história da Copa do Mundo, apenas cinco seleções africanas lograram passar da fase de grupos. O Marrocos, ao se classificar para 2026, celebrará sua sétima participação e terceira consecutiva no torneio. E muito disso se deve ao trabalho que Faria fez há décadas atrás.
Um Nome, Uma Nova Identidade
O legado de Mehdi Faria no Marrocos é tão forte que ele até mudou seu nome após se converter ao islamismo na década de 1990. O respeito que ele conquistou foi tamanho que o povo marroquino fez com que ele se tornasse mais do que apenas um treinador – ele se tornou parte da cultura local.
A História de Jorvan Vieira
Outro brasileiro que seguiu os passos de Faria foi Jorvan Vieira, que se destacou como técnico do Iraque e conquistou a Copa da Ásia em 2007. Jorvan relembra com carinho da sabedoria que aprendeu com Faria. Para ele, “o Faria era um treinador fantástico, um estrategista incrível.” Jorvan também compartilha uma história engraçada sobre sua saída do Brasil, em 1978, quando estava fazendo uma boa grana: “Minha ex-esposa me perguntou se eu tinha ficado maluco!”
No entanto, a insistência de Faria fez com que ele aceitasse o desafio de ir para o Marrocos, onde ajudou a reformular o futebol local. Mesmo sem dominar o árabe ou o francês, Faria conseguiu se comunicar com a equipe de um modo que transcendeu as palavras, e seu trabalho moldou a história do futebol marroquino.
A Copa do Mundo de 1986: O Marco Histórico
Com Mehdi Faria no comando, o Marrocos conseguiu se classificar com uma vitória e dois empates em um grupo complicado, enfrentando seleções como Inglaterra e Portugal. Embora tenham caído para a Alemanha nas oitavas de final, a história já estava feita. O reconhecimento que ele e sua equipe receberam foi colossal.
“Eu lembro que o rei do Marrocos ligou pra gente! Foi uma recepção digna de reis, com tapete vermelho e tudo mais,” lembra El Hadaoui, reforçando o respeito que Faria ganhou no país.
Um Legado Eterno
Se Mehdi Faria estivesse por aqui hoje, completaria 93 anos e veria o Brasil enfrentar o Marrocos mais uma vez nas Copas do Mundo. A primeira vez que os dois se encontraram foi em 1998, e o Brasil levou a melhor. Mas, se houvesse um reencontro, o coração de Mehdi estaria dividido entre dois países que ele amava.
Ele se casou com uma marroquina, teve filha e filho lá, e até pediu para ser enterrado em um cemitério muçulmano. Para Mustapha El Hadaoui, o legado de Faria é eterno: "O Mehdi se foi, mas ele continua vivo nos corações de nós, marroquinos”.
Então, da próxima vez que você ouvir o nome Mehdi Faria, lembre-se de que ele não é apenas mais um treinador; ele é uma lenda que uniu um país e deixou uma marca indelével na história do futebol!
E aí, curtiu essa história? É incrível como o futebol vai além das quatro linhas, não é mesmo?