·Fernando del Cantão·Leilão do CT Rei Pelé: A Confusão Continua
Parece que a novela do leilão do terreno onde fica o CT Rei Pelé, do Santos, está longe de acabar. O último prazo dado pelo Ministério Público Federal (MPF) para a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) se manifestar chegou ao fim na quarta-feira (1º), mas, adivinha? Ninguém falou nada sobre a recomendação para suspender a venda da área.
Reunião e Novos Praços
No mesmo dia, algumas figuras do MPF, da SPU e da Câmara de Mediação e Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF) se reuniram para discutir a situação. Porém, apesar da conversa, não rolou um consenso. E, com isso, a expectativa pela resposta definitiva da SPU vai se arrastar por mais alguns dias.
Na última vez, no dia 10, o MPF tinha dado um prazo de cinco dias úteis para que a SPU se manifestasse sobre a interrupção do leilão. Eles deixaram claro que, se a recomendação fosse ignorada, preparariam uma ação judicial rápida para barrar a venda e ainda investigariam possíveis responsabilidades civis e criminais dos responsáveis.
Depois do primeiro prazo, a SPU enviou um documento ao MPF dizendo que as recomendações estavam em análise e que uma posição seria apresentada em breve. Assim, a SPU conseguiu uma prorrogação de 10 dias úteis, levando à reunião atual com a CCAF no meio.
Por Que Suspender o Leilão?
Entre os motivos que fizeram o MPF sugerir a suspensão do leilão, está a diferença gritante no valor do imóvel. A União estipulou que o preço do CT é de R$ 79,7 milhões, sendo R$ 71,5 milhões só pelo terreno. Só que essa avaliação venceu em janeiro de 2026 e foi prorrogada automaticamente. O MPF está pedindo um novo cálculo que leve em conta o preço real de mercado.
Outra questão complicada é a inconsistência dos dados fiscais da prefeitura. Em uma consulta inicial, apareceu uma dívida de R$ 2.053.617,16 de IPTU, mas, logo em seguida, o valor caiu para R$ 27.061,95. Isso gera uma baita confusão, já que a dívida pode ser passada para o novo comprador. Tal falta de clareza pode afastar possíveis investidores.
Além disso, as construções no CT têm um valor estimado de R$ 8,26 milhões. O Ministério da Gestão e Inovação deixou claro que o Santos não tem direito a nenhuma indenização por descumprir contratos anteriores. Por outro lado, o Santos está disputando isso com a União e pedindo o pagamento das melhorias feitas.
O que vem pela frente?
Por último, a União quer vender o CT “no estado em que se encontra”, ou seja, com o Santos lá dentro. O edital não define um prazo para que o clube saia de boa. Isso quer dizer que quem comprar o terreno terá que lidar com todos os custos e processos legais para tirar o clube de lá, o que pode acabar não sendo muito atraente para os investidores.
E assim continua essa saga em torno do leilão do CT Rei Pelé. Vamos acompanhar para ver como isso tudo se desenrola!