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·Fernando del Cantão·

Diversidade nas Transmissões: O Que Está Acontecendo?

Mulheres e Pessoas Negras nas Transmissões?

Vamos falar sobre um tema bastante sério: como está a diversidade nas transmissões deste Mundial. A verdade é que, se você prestar atenção, vai notar que as mulheres foram raras por lá e as pessoas negras, então, nem se fala. Conforme o torneio vai se aproximando das fases decisivas, a situação só piora. No final das contas, acabamos só com uma grande quantidade de homens brancos na tela, com suas características variadas: barbas, óculos, cabelos (ou a falta deles) e modos de falar distintos.

Um ponto fora da curva foi a transmissão da vitória da França sobre o Marrocos pela Globo, onde Everaldo Marques contou com a presença da única mulher, Ana Thaís Matos, e do único negro, Maestro Júnior. Já no SporTV, Luiz Carlos Jr. estava com Ricardinho e Eric Faria, todos homens brancos. E na CazéTV, que fez sua primeira transmissão diretamente do campo, os únicos que apareceram foram quatro homens brancos: Luisinho, Casimiro, Donan e Rafael Oliveira. Resumindo: entre os três canais que detêm os direitos de transmissão, a predominância foi de 8 homens brancos entre 10 profissionais.

E Após os Jogos?

E quando os jogos acabam, a situação não melhora nada. O programa Linha de Passe da ESPN é quase sempre dominado por cinco homens brancos. No Fim de Papo, aqui do UOL, até tivemos Fabíola Andrade e Milly Lacombe na área, mas o elenco era 100% branco. O CopaZona, direto de Boston, juntou quatro homens brancos com Igor Rodrigues. E o Seleção SporTV? André Rizek, Paulo Nunes, D'Alessandro e Felipe Melo, todos homens, com apenas um deles sendo negro. Vale destacar que cerca de 60% dos jogadores do futebol brasileiro são negros, mas a realidade nas transmissões não reflete isso.

Evolução ou Engano?

Há quem diga que estamos avançando na inclusão. Temos mulheres jornalistas, que comentam e até narram. Mas vamos lá, essa narrativa pode ser um tanto enganosa. O problema não é só ter mulheres ou pessoas negras, mas sim onde e quando elas estão presentes. Se a única coisa que vemos em um momento crucial da Copa são homens brancos, isso mostra que o poder continua concentrado nas mesmas mãos.

Pra que colocar um pouco de diversidade no início, quando é mais fácil, e depois deixar essas pessoas de lado nos momentos de maior destaque? Não dá pra esconder grandes jornalistas em programas de fundo ou relegar comentaristas renomados a funções de repórteres.

Em 2026, a evolução nas cabines de transmissão parece estar muito atrás do que se espera do futebol praticado pela nossa seleção masculina. Embora ainda não tenhamos o poder necessário, podemos garantir que não somos ingênuas e estamos atentas a tudo isso.


E aí, o que você pensa sobre isso? Vamos continuar acompanhando e cobrando mais representatividade no futebol!

Fonte: UOL -

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