·Fernando del Cantão·Aposta ou Prejuízo? O Olhar dos Brasileiros sobre as Bets no Futebol
Você já parou pra pensar no que os brasileiros realmente acham das apostas? Se a sua resposta foi “não”, pode apostar que a maioria também não tem uma visão positiva sobre isso. De acordo com uma pesquisa feita pela parceria More In Common/Ipsos-Ipec, a desconfiança em relação às apostas vai muito além de opiniões diferentes; ela une pessoas de diversos espectros políticos e religiosos.
Apostas: Riscos e Prejuízos
No mundo do futebol, os números não são nada animadores. 58% dos entrevistados acreditam que as apostas aumentam muito o risco de manipulação dos jogos. E quando o assunto é patrocínio das casas de apostas, a situação fica ainda mais complicada: 68% das pessoas entrevistadas acham que “o patrocínio das bets deve ser proibido porque elas prejudicam torcedores e famílias”. Já apenas 19% acham que essa grana ajuda os clubes financeiramente.
Mas aí vem a pergunta: será que a grana que entrou no futebol com essas apostas tá valendo o risco? Mesmo tendo dinheiro para a contratação de grandes jogadores, a maioria ainda acredita que esses benefícios são superados pelos danos que as apostas causam. Segundo Pablo Ortellado, pesquisador e diretor executivo da More in Common, a percepção parece clara: a troca não vale a pena.
Polarização Política e Visões em Comum
E não importa de que lado você esteja na política, a opinião é parecida. Entre os que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 56% veem as bets como um risco. Para os eleitores do Flávio Bolsonaro (PL), esse número é ainda maior, chegando a 63%. Assim, tanto apoiadores da esquerda quanto da direita se uniram nesse pensamento.
Ao analisarmos a questão do patrocínio, as conclusões são bem semelhantes. Entre os que apoiam Lula, 65% acreditam que o patrocínio deveria ser proibido e, entre os bolsonaristas, esse número sobe para 72%. Ortellado ainda ressaltou que é curioso ver essa pauta se tornar um consenso que reúne diferentes lados políticos.
Religião e Apostas: Um Consenso
Quando se trata de religiões, católicos, evangélicos e até os que se dizem sem religião mostram percentuais bem parecidos em relação às apostas. A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 8 de julho e conversou com 2 mil pessoas acima de 16 anos em 130 municípios brasileiros.
O Bernardo Cavalcanti Freire, que é consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), chamou a atenção para algumas “limitações metodológicas” do estudo, que exigem uma análise cautelosa. No entanto, ele destaca que existe uma preocupação real da população com a publicidade e os riscos associados às apostas. Isso, segundo ele, não quer dizer que a solução seja proibir tudo, mas sim que seja necessário promover uma publicidade responsável e educativa.
Integridade e Responsabilidade no Jogo
O presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Carlos Lima, também falou sobre a preocupação com a integridade dos esportes. Segundo ele, o setor regulado está ciente da gravidade do tema e trabalha para proteger as competições. Lima mencionou que existem até alertas sobre apostas suspeitas para ajudar na investigação de possíveis manipulações. Como o caso do Bruno Henrique, atacante do Flamengo, que foi multado em R$ 100 mil por compartilhar informações privilegiadas.
“Nós conseguimos identificar alterações de padrão de apostas. Se uma aposta foge do que é normal, especialmente em uma região específica, a operadora notifica os órgãos competentes”, explicou o executivo. E ele finalizou reforçando que, do ponto de vista financeiro, as casas de apostas também têm seus motivos para evitar a manipulação.
Resumindo, a pesquisa mostra que os brasileiros têm uma visão bem crítica em relação às apostas no futebol, unindo diferentes grupos em torno de preocupações semelhantes. Será que é hora de repensar a relação entre as bets e o nosso amado esporte? Vamos ficar de olho!