·Fernando del Cantão·Liberdade Provisória para Nicolas Bosshardt após Acidente Fatal
Nicolas Bosshardt, lateral-esquerdo de apenas 19 anos, conseguiu a liberdade provisória após uma audiência de custódia na terça-feira (4). Ele foi preso em flagrante pelo atropelamento que resultou na morte de Paulo Rodrigues, um idoso de 84 anos, em Alphaville, Barueri. No entanto, essa liberdade vem com algumas restrições.
O que rolou?
De acordo com a decisão judicial:
- Nicolas não pode dirigir por enquanto.
- Ele deve comparecer mensalmente ao juízo para relatar suas atividades.
- Também é obrigado a manter seu endereço atualizado e não pode se ausentar da sua residência por mais de oito dias sem autorização.
Um ponto interessante é que a testemunha principal do caso não confirmou, em juízo, que Nicolas estava participando de um "racha" antes do acidente, que é o que motiva a principal linha da investigação policial.
A defesa do jogador
Nicolas tem um argumento forte em sua defesa:
- Ele afirmou que estava a cerca de 50 km/h quando o acidente aconteceu, uma velocidade que, segundo ele, pode ser confirmada através do app Life360, que registra trajetos, localizações e velocidades.
O jogador se defendeu dizendo que estava voltando de um jantar no restaurante Rascal com os amigos Igor Felisberto e Ryan Francisco, que também são jogadores do São Paulo. Ele garante que ninguém consumiu bebidas alcoólicas.
Como foi o acidente?
O atropelamento ocorreu na Alameda Rio Negro, em frente ao Shopping Iguatemi Alphaville, onde a velocidade máxima permitida é de 40 km/h. Apesar disso, a polícia afirma que as evidências apontam que a velocidade estava acima do permitido e que houve uma possível participação em algum tipo de disputa automobilística.
Nicolas contou que, ao deixar o shopping, percebeu uma pessoa correndo em direção ao carro e tentou desviar para a esquerda. Ele então percebeu que quebrou o retrovisor e voltou ao local do acidente. Nicolas ainda acionou os serviços de emergência e ficou no local até a ajuda chegar.
E as testemunhas?
Douglas Carvalho, a testemunha que estava na área, afirmou que viu dois carros em alta velocidade e, minutos depois, encontrou a vítima caída. Ele prestou os primeiros socorros até a chegada do Corpo de Bombeiros. Douglas disse que questionou Nicolas e Igor sobre a velocidade e, embora eles tenham admitido que estavam rápidos, negaram que estivessem em um "racha".
E os amigos dele?
Ryan Francisco, o atacante do São Paulo, mencionou que saiu antes dos amigos e dirigiu a cerca de 40 a 50 km/h. Ele ficou sabendo do acidente por uma ligação e voltou para ajudar.
Igor Felisberto, que estava logo atrás de Nicolas, relatou que viu um homem atravessar a via e que não deu tempo para Nicolas desviar ou frear. Ele confirmou que, ao sair do shopping, estavam entre 60 e 70 km/h, mas já tinham diminuído a velocidade ao entrar na Alameda.
A versão da polícia
Os policiais que atenderam a ocorrência receberam a informação de que a BMW de Nicolas estava envolvida em um "racha" com um Honda Civic. Um deles confirmou que conduziu Nicolas até a delegacia e que não foi necessário usar algemas.
E agora?
Apesar das declarações de Nicolas e dos amigos, o delegado responsável pela investigação acredita que os depoimentos, vídeos e outras evidências indicam que as velocidades estavam acima do permitido e que, portanto, a acusação de participação em corrida ou disputa automobilística é válida, conforme o artigo 308, §2º, do Código de Trânsito Brasileiro.
Assim, a prisão em flagrante foi mantida, mas a liberdade provisória foi concedida após a audiência.
Esse caso promete ainda render muito assunto, e os desdobramentos devem ser acompanhados de perto.