·Fernando del Cantão·Uma Homenagem ao Geraldão
Fiquei realmente triste quando soube da morte do Geraldo, um dos grandes responsáveis pelo vice-campeonato brasileiro de 1976 e, mais importante, pelo título paulista de 1977.
O Craque Guerrilheiro
Esse cara era um fenômeno! Ele fazia gols de cabeça, em velocidade, batia com a direita ou com a esquerda e tinha uma força física que deixava qualquer zagueiro na mão. Eu me lembro da primeira vez que o vi - era um garotinho em 1974, quando o Botafogo de Ribeirão venceu o Corinthians por 1 a 0, e ele fez um gol que foi de travessão ao chão e voltou. O juiz validou, e cá pra nós, foi gol de verdade!
No ano seguinte, Vicente Matheus começou uma revolução no time, com a saída do Rivellino e a chegada de novos jogadores, entre eles, o nosso querido Geraldo. A virada mesmo aconteceu em 1976, quando o Corinthians começou a se formar como uma equipe de respeito. Foi nessa época que o Geraldo passou a decidir jogos importantes, como aquela vitória no Morumbi contra o Internacional, que viria a ser bicampeão, onde ele fez um golaço!
Um detalhe curioso: muita gente acha que aquela vitória por 2 a 1 foi o primeiro jogo da final, mas não foi! Naquele tempo, a final era um jogo só, na casa do time que fez a melhor campanha. Portanto, foi só parte do campeonato.
O Ano de 1977 e os Clássicos Inesquecíveis
Em 1977, fui em muitos clássicos e vi o Geraldo arrasar nos gols decisivos, principalmente contra o São Paulo. Lembro de uma grande partida na final contra a Ponte Preta, onde o gol do Basílio fez a festa!
Eu tinha apenas 16 anos quando subi para treinar no profissional do Corinthians, e o Geraldo foi um dos que melhor me acolheram. Treinamos juntos várias vezes, e, mesmo não sendo o centroavante mais técnico do mundo, ele sabia usar o corpo como ninguém, e era difícil de ser marcado.
A dupla Sócrates e Geraldo foi uma das primeiras formações de ataque a brilhar, muito antes de Sócrates dividir o campo com Palhinha ou Casagrande.
Um Ídolo Controverso
Nunca joguei ao lado dele, mas tive a chance de enfrentá-lo no Campeonato Brasileiro de 1982, quando ele era o centroavante do Internacional. O Geraldo era um ídolo para a torcida corintiana, mas também passou por suas controvérsias. Em momentos difíceis, ele era frequentemente cobrado. Recordo de uma entrevista em que ele disse: "Hoje, como fiz gols, está tudo bem, mas, quando o time perde, falam que o Geraldão é isso, que o Geraldão é aquilo."
Se eu pudesse me dirigir a ele agora, diria:
"Geraldão, você não é isso nem aquilo. Você é um ídolo da torcida corintiana, é campeão de 1977, e isso significa que, além de ser ídolo, você é um dos nossos heróis."
Deixo aqui meu carinho aos familiares e um grande beijo ao Geraldão. VOCÊ É ÍDOLO, GERALDO!