·Fernando del Cantão·O que está rolando com o Fluminense?
Entender o que está acontecendo com o Fluminense é como tentar decifrar um mistério. O ano começou arrasador, com o time colado nos líderes do Brasileirão e apresentando um futebol de encher os olhos. Mas, então, em abril, a diretoria decidiu mudar a data do Fla-Flu a pedido do Flamengo, sem consultar ninguém: nem elenco, nem torcida e muito menos a comissão técnica. E a partir daí, tudo começou a desmoronar.
A queda livre do Tricolor
Com essa decisão, o que se viu foram derrotas seguidas, jogadores em uma verdadeira guerra para marcar gols, e um desempenho físico e técnico que deixou a desejar. Zubeldia, perdido, o elenco desanimado e a torcida praticamente desaparecida. Uma sequência de acontecimentos que poderiam ter sido evitados com um pouco mais de diálogo.
Hulk chegou fora de forma e, mesmo com a pausa para a Copa, seguiu sem ritmo, como se estivesse em outro planeta. Castillo, que tinha começado bem, simplesmente sumiu. Lucho, o craque, parece jogar como qualquer outro, e Ganso acabou esquecido no banco. Os laterais andam cabisbaixos, e a única salvação parece ser a zaga - que, apesar das contusões, ainda dá conta do recado - e o goleiro Fábio, que pelo menos nos faz acreditar que ainda há esperança.
Para quem viu o decepcionante empate com o Rivadavia no Maracanã pela Libertadores, fica claro o buraco que o Tricolor cavou com suas próprias mãos.
O dilema do futebol moderno
Sabe aquela regra do neoliberalismo que diz que, para uma empresa ser vendida à iniciativa privada, é preciso sucateá-la primeiro? Pois é, essa é uma realidade triste no mundo do futebol também. O clube vai sendo desgastado até que a população, cansada do estado das coisas, começa a sonhar com um “gestor salvador” que vai resolver tudo.
Lá vem o gestor, e mesmo que as coisas não melhorem, tudo passa a ser aceito. “Só mais uma reforma e tudo vai mudar!”, dizem. A gente gasta para ajudar os gestores, mas, surpresa: não muda nada. E a passagem só aumenta!
O que esperar do futuro?
O Atlético-MG estava mal? Virou SAF e tudo se resolveu, certo? Mas e o Vasco e o Botafogo? Clubes gigantes vendidos por uma mixaria! Como é que podemos colocar preço em um time de futebol? Isso deveria ser absolutamente inaceitável.
E agora, o Fluminense? A pressão para o clube virar SAF está aumentando. “Entreguem logo a um banqueiro e vamos voltar a sorrir”, dizem alguns. Precisamos de uma saída rápida, mas quem vai comandar essa negociação? O que esses executivos ganham com a venda do Fluminense? Ficam as perguntas no ar.
No fim das contas, só o tempo dirá como essa história vai acabar.