·Fernando del Cantão·Grêmio e suas dívidas: planejamento e desafios à vista
O Grêmio não está com a situação financeira das melhores, mas está em busca de resolver isso! O clube entrou com um pedido na CNRD (o tribunal da CBF) para reorganizar um montante de R$ 16 milhões em dívidas. Com as novas regras de Fair Play, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), criada pela CBF, impôs algumas restrições ao clube, especialmente na hora de contratar e gastar.
O caminho para a recuperação
Agora, o Grêmio precisa chegar a um acordo com a CBF para que suas contas sejam monitoradas pela agência e para garantirem que estão seguindo as normas do Fair Play. Mas, para isso, a CNRD precisa dar o aval no plano de pagamento que o clube apresentou. A ideia é quitar esses R$ 16 milhões em cinco anos, com 23 credores envolvidos no processo. O clube já está se movimentando para fechar esse acordo com a CBF.
Jefferson Thomas, o executivo de governança do Grêmio, comentou sobre a situação:
"Ao entrar com o plano da CNRD, estamos conscientes do caso de insolvência e do acordo na CBF. Para a gente, na linha da nova gestão, na linha de recuperação, conversamos que a gente já tinha esse propósito de seguir as regras."
Restrições e impactos
Durante esse período de transição, o Grêmio tem que seguir algumas regras:
- Não pode gastar mais com contratações do que arrecada com vendas.
- Todas as transferências devem ser aprovadas pela CBF.
- A folha de pagamento não pode ser maior que a do período anterior.
Mas, segundo Thomas, por enquanto, não há um impacto direto na situação atual do clube. Ele afirmou:
"Imediato não. O Grêmio já tem bloqueio preventivo. Já fizemos contratações, e tu podes olhar a janela que fizemos (barata). Caso precisasse registrar algum, o Grêmio já vendeu R$ 166 milhões no ano. E reduzimos a folha em 20%. Se precisar fazer algum desembolso, teria um Cap (teto) se trouxesse a custo zero. No caso específico, o Grêmio não será prejudicado."
Ele também reconheceu que, no começo da implementação dessas novas regras, pode haver um desconforto, já que outros clubes na CNRD não enfrentam essas restrições. É importante lembrar que as limitações só valem para os times que apresentaram pedidos de recuperação judicial ou planos coletivos a partir de abril, então isso acaba gerando um desequilíbrio.
O Grêmio como exemplo
O que acontece aqui com o Grêmio poderá servir de modelo para outros clubes que ainda estejam considerando entrar na CNRD ou que queiram fazer mudanças em seus planos de recuperação — seja judicial ou extrajudicial. No final das contas, o que se espera é que essa trajetória de recuperação seja uma referência positiva para o futebol brasileiro.