Não Quero Ter Razão sobre Neymar
Esse texto começou a surgir na minha cabeça semanas antes daquela partida entre Santos e Corinthians, no domingo, 9 de março. Neymar estava fora desse jogo, mas isso não mudou muito o que eu já vinha pensando.
Uma Apresentação Inesquecível
A ideia de discutir Neymar veio à tona depois da sua festa de apresentação ao Santos, em 31 de janeiro. Foi um evento e tanto, cheio de reações e provocações. Muita gente se revoltou ao ver as imagens nas redes sociais: uns criticaram sua associação com figuras de direita; outros se incomodaram com a presença de representantes de pautas humanistas e identitárias.
Quando a conversa envolve Neymar, a bola não é a única coisa em jogo há um bom tempo. Não que ele transcenda o esporte, porque, afinal, o futebol é maior que qualquer jogador. No entanto, Neymar é sinônimo de debates fervorosos que vão além dos gramados e, muitas vezes, parecem mais políticos e ideológicos.
Neymar: O Personagem e o Fenômeno
Se Neymar se tornou quem é, não foi só pelo futebol espetacular que joga. Ele se transformou em um personagem, quase um popstar, e suas atitudes geram amor e ódio, para bem ou para mal. Apesar das polêmicas — como a saída do Barcelona e a relação conturbada com Paris — ele se mantém como um dos maiores fenômenos midiáticos do nosso tempo. A quantidade impressionante de seguidores nas redes sociais é prova disso.
Nesse contexto, surgem as intermináveis discussões sobre o que Neymar é e o que deveria ser, tanto no esporte quanto social e politicamente. E, claro, tem sempre quem projete seus desejos nele, imaginando como seria se fosse centrado, treinasse mais, ganhasse o prêmio de Melhor do Mundo, ou até mesmo se engajasse em causas sociais.
É nesse ponto que o dilema de querer ser outra pessoa tropeça na realidade. Muitas vezes, as expectativas não levam em consideração o caminho percorrido, as vivências e o peso do que já foi vivido por essa pessoa.
Origens e Expectativas
Na humilde origem de Neymar, quem esteve ao lado dele foram quase exclusivamente seus familiares. É incrível que, mesmo com histórias de vida parecidas, se esperam atitudes impecáveis, ignorando toda a realidade opressora anterior.
Além disso, quando alguém da base consegue romper a bolha e se destacar, a sociedade imediatamente cobra atitudes que ela mesma nunca viabilizou. Esperam que ele retribua o que nunca recebeu: apoio contínuo e soluções para desigualdade e educação, coisas que o próprio Estado ainda falha em oferecer.
Um Futuro Em Aberto
Mesmo enfrentando tantas chamas, eu acredito que Neymar poderia ser diferente, e não estou sozinho. Mas pra prática, isso significa pouco. E na verdade, pra muita gente, tá tudo bem com as escolhas que ele faz. Em um mundo cada vez mais polarizado, Neymar se tornou reflexo de apoios e críticas, dependendo de quem olha.
Neymar é um produto de sucesso mundial, tanto em jogos quanto em negócios. Não ganhou uma Copa do Mundo, e daí? Zico e Sócrates também não ganharam. Isso de modo algum apaga suas habilidades quase divinas e o futuro de suas empresas é brilhante, sob a orientação do sempre esperto Neymar Pai.
Neymar ainda segue em campo, possivelmente por ainda sonhar com a Copa ou talvez para manter ativo um verdadeiro império midiático.
Ao fim, Neymar é isso aí: amado por muitos, odiado por outros, mas, definitivamente, jamais indiferente. E por mais que alguns tentem humanizá-lo fitando suas falhas, ele já faz isso muito bem por conta própria. Mesmo vivendo um tipo de reality show constante, ele continua fascinando multidões, mostrando que, no fundo, somos todos feitos do mesmo tecido imperfeito.
Fonte: uol.com.br