Miocardite: o que levou Ganso a ficar de fora da final do Carioca
O Fluminense acabou de encerrar sua trajetória no Campeonato Carioca, ficando em segundo lugar para o seu rival, o Flamengo. No primeiro jogo, o Tricolor conseguiu pressionar o Rubro-Negro, mas na segunda partida, a equipe de Mano Menezes não conseguiu se igualar. Um dos motivos para isso foi a ausência do nosso “maestro” Paulo Henrique Ganso, que está fora dos campos por conta de uma miocardite.
O que é miocardite?
Então, você deve estar se perguntando: “Mas, o que exatamente é essa tal de miocardite?” Esse problema no coração não é tão comum no futebol, mas também não é uma raridade. Após retornar ao CT Carlos Castilho, Ganso passou por um procedimento que promete ajudá-lo a voltar aos gramados. De acordo com o Fluminense, ele deve estar disponível para as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro!
Para entender melhor essa situação, o pessoal do UOL conversou com o Dr. Erivelton Nascimento, um cara que manja muito do assunto, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele explicou que a miocardite é, basicamente, uma inflamação do músculo cardíaco. Essa inflamação pode afetar a capacidade do coração de bombear sangue e aumentar o risco de arritmias.
Causas da miocardite
Os culpados por essa inflamação incluem:
- Infecções virais (como os vírus Coxsackie, influenza e até o SARS-CoV-2, que causa a Covid-19)
- Reações autoimunes
- Uso de algumas drogas e toxinas
- Infecções bacterianas
O diagnóstico do problema geralmente é feito através de exames clínicos, eletrocardiogramas (ECG), ecocardiogramas, além de exames de sangue. Para alguns casos, uma ressonância magnética do coração pode ser necessária.
O que aconteceu com Ganso?
O Fluminense não divulgou muitos detalhes sobre o que rolou na última sexta-feira, mas o Dr. Erivelton acredita que Ganso pode ter desenvolvido arritmias como um efeito colateral da miocardite. Ele menciona que muitas vezes isso pode ser corrigido por meio de um procedimento cirúrgico simples.
Os pacientes com miocardite têm mais chances de desenvolver arritmias, que podem surgir devido a alterações elétricas no coração ou cicatrizes deixadas pela inflamação. O procedimento sugerido é chamado de ablação por cateter, que é minimamente invasivo. Essa técnica envolve inserir um cateter fino por um vaso sanguíneo (geralmente na virilha) até o coração, para identificar e eliminar a área que está causando a arritmia. Isso pode ser feito através de técnicas de aquecimento (radiofrequência) ou resfriamento (crioablação).
O que esperar do tratamento?
Vale ressaltar que muitos casos de miocardite tendem a melhorar sozinhos. O tratamento varia conforme a gravidade do quadro: em casos leves, a recomendação é repouso e acompanhamento clínico. Já em situações mais severas, pode ser necessário o uso de medicamentos específicos, como beta-bloqueadores e diuréticos.
Ao voltar às atividades, é essencial ter cautela. Como Ganso está há mais de dois meses fora dos gramados, ele ainda vai precisar de mais duas ou três semanas antes de voltar a jogar. Isso está dentro do que o Dr. Erivelton recomenda para seus pacientes.
Sintomas e prevenção da miocardite
Os sintomas da miocardite podem variar bastante. Em casos mais simples, a pessoa pode sentir apenas desconfortos, mas em casos graves, a situação pode ser séria, até levando a morte súbita! Os principais sinais incluem dor no peito, palpitações, fadiga, falta de ar e febre. Em situações mais críticas, pode até rolar inchaço nas pernas.
A boa notícia é que dá para prevenir a miocardite! Para isso, os cuidados incluem:
- Vacinação contra infecções virais
- Manter a higiene em dia
- Evitar contato com pessoas doentes
- Respeitar o período de recuperação após infecções, evitando treinos pesados enquanto ainda estiver doente
Ganso já está em processo de retorno e, com sorte, não terá mais problemas com a miocardite. Mas é importante ficar atento, pois essa condição pode atingir outros atletas. Fiquem ligados!
Fonte: uol.com.br