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Os perrengues do Fluminense ao considerar virar uma Sociedade Anônima do Futebol

Introdução à polêmica

Bruno Chatack*

E aí, galera! Vamos falar sobre uma novidade que tá dando o que falar no mundo do futebol: a possibilidade do Fluminense Football Club se transformar em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Essa ideia acendeu uma série de discussões sobre o futuro do clube e do jeito que a bola rola por aqui no Brasil.

A primeira mão dessa bomba foi dada pelos jornalistas Giba Perez, Gustavo Garcia e Marcello Neves no Globoesporte. A movimentação para mudar a cara do Fluminense é a primeira dessa magnitude no futebol brasileiro. Diferentemente de outros clubes, que têm um dono ou um controlador majoritário, como o Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG, a SAF do Flu estaria sob a batuta de um fundo de acionistas. Para quem não manja muito do assunto, é como um clube de investidores que se junta para tomar as rédeas do time.

Os riscos em debate

Mas, calma lá! Essa proposta traz uma série de interrogações que precisam ser discutidas. Muita gente se anima com a ideia de ter acionistas mais diversos, envolvendo torcedores e investidores institucionais. Porém, na prática, a fragmentação da administração, mesmo com um CEO no comando, pode causar instabilidade e atrapalhar o crescimento saudável do clube.

E o mais delicado: essa mudança significaria tirar o controle do futebol das mãos da associação, ou seja, da torcida, e entregar nas mãos de um seleto grupo de investidores. Isso gera desconfiança, e com razão! Não é que seja um crime abrir a indústria do futebol para o mercado financeiro, mas há formas de fazer isso que são menos impopulares.

Que tal uma alternativa mais acessível?

Se a ideia é deixar o clube com os torcedores-investidores, por que não tornar isso mais acessível? Imagina um fundo que fosse amplamente divulgado e aberto a todos os torcedores interessados! Isso poderia ser um meio-termo entre um investimento restrito e a abertura total de capital na bolsa, que hoje em dia não é uma real possibilidade no Brasil.

O cenário desafiador dos investimentos

De qualquer forma, a tentativa de transformar o Fluminense em SAF vem em um momento complicado para os investimentos estrangeiros no futebol brasileiro. O fluxo de capital internacional para comprar clubes no Brasil caiu bastante, principalmente por conta dos juros altos nos Estados Unidos. Isso faz com que investimentos mais seguros se tornem mais atraentes para os gringos.

Olha o exemplo do Vasco! A SAF deles foi adquirida pela 777 Partners, mas a entrada deles não foi fácil. Uma decisão judicial afastou a 777 do controle do clube, e esse cenário de incerteza só afasta novos investidores. É como se o Brasil estivesse dando um tiro no pé para atrair grana nova.

Outras barreiras à vista

Além disso, a pressão regulatória em cima do modelo de Multi Club Ownership (MCO) tá aumentando. As ligas europeias, principalmente a UEFA, estão colocando restrições a isso, e o Lyon, um clube francês que foi comprado por John Textor, tá enfrentando dificuldades por conta disso. A briga dele com a Liga Francesa ainda vai dar muito o que falar e pode impactar todo o futebol europeu.

Alguns investidores já estão percebendo que essa pode ser uma batalha perdida e estão mirando em um novo modelo, o Multi Clubs Partnership (MCP), que propõe uma parceria mais estreita entre clubes, sem a necessidade de um investimento direto.

Cautela e transparência são chave

Voltando ao Fluminense, é claro que estamos falando de um momento que exige muita cautela e um debate profundo dentro do clube. A transparência e a participação da torcida são essenciais nesse processo.

Independentemente do que rolar para o tricolor carioca, a animação inicial em cima das SAFs está dando lugar a um choque de realidade. A solução pode estar na busca pela profissionalização da gestão, na qualificação administrativa e em um compromisso firme com as dívidas - não importa se o clube é uma SAF ou uma associação.

Bruno Chatack é advogado especialista em direito empresarial e gestão esportiva.

Fonte: uol.com.br

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