O Técnico Rival do Fla que Enfrentou a Guerra das Malvinas: Uma História de Superação
O futebol é muito mais que um jogo; ele pode ser uma forma de expressão, um escape e, em alguns casos, uma reviravolta na vida. Omar de Felippe, um nome que pode não soar tão familiar para muitos, tem uma história de vida que vai além dos campos. Além de ser um treinador respeitado, ele tem um capítulo doloroso e marcante em sua trajetória: ele foi combatente na Guerra das Malvinas.
De Combate a Treinador
Omar chegou ao Brasil como o comandante do Central Córdoba, time que virou campeão da Copa da Argentina no ano passado e que, nesta noite (9), vai enfrentar o Flamengo na fase de grupos da Libertadores. E ele tem muito a compartilhar sobre seu tempo nas Malvinas.
"Assim que voltei, mencionei um soldado no rádio, que vi morrer bem ao meu lado, em um bombardeio. Estávamos no mesmo batalhão", conta Omar, em um relato emocionante ao El Gráfico. Ele se lembra de ter encontrado o irmão do soldado que perdeu a vida. “Ele me implorou para contar como seu irmãozinho havia morrido”, recorda, com o olhar distante.
Crescendo em Tempos Difíceis
Nascido em abril de 1962, Omar sempre sonhou em ser jogador de futebol. Quando estava fazendo suas categorias de base no Huracán, foi convocado para o serviço militar obrigatório em 1981. Mas, em abril de 1982, o então ditador argentino, Leopoldo Galtieri, decidiu que era hora de ocupar as Ilhas Malvinas, que estavam sobre o domínio britânico desde 1833.
"Era tudo muito estranho. Às vezes, você sentia como se estivesse assistindo a um filme. Outras vezes, você dizia a si mesmo: 'O que diabos estou fazendo aqui?'" - Omar descreve sua experiência no conflito.
Mesmo em meio ao horror da guerra, Omar nunca deixou a paixão pelo futebol de lado. Ele conta que muitos soldados tentavam se machucar para serem enviados de volta para casa. “Eu, é claro, nunca teria feito isso. Eu estava motivado a jogar pelo Huracán novamente, não teria machucado meu pé, nem se eu fosse louco”, diz ele, enfatizando seu desejo de voltar a jogar.
O Fim do Conflito e o Retorno aos Campos
A guerra terminou em junho de 1982, após negociações na ONU, com o Reino Unido recuperando o território. Durante os 75 dias de conflito, muitas vidas foram perdidas, incluindo 649 soldados argentinos.
Mas a história de Omar não termina aí. Ele voltou ao Huracán e, em 1983, fez sua estreia no profissional. Com o tempo, jogou em outros clubes, como Once Caldas e Arsenal de Sarandí, e sua carreira só crescia.
Como ele mesmo diz: “Tive a sorte de voltar inteiro e sentir o apoio da minha família e do meu clube.” No entanto, ele e seus colegas de batalha enfrentaram um receio em relação a como seriam recebidos após a volta. “Na época, também fiz terapia e participei de grupos de ex-combatentes. Era necessário”, revela.
A Carreira de Treinador
Anos depois de pendurar as chuteiras, Omar começou sua trajetória como técnico, com sua primeira chance em 2009, no Olimpo. Ele já passou por vários clubes importantes, como Quilmes, Independiente, Emelec, Vélez Sarsfield, Newell's Old Boys e Atlético Tucumán. Em 2023, ele chegou ao Central Córdoba, e, no ano passado, celebrou a conquista da Copa da Argentina, garantindo uma vaga na atual edição da Libertadores.
Essa é a incrível jornada de Omar de Felippe, um cara que não só superou momentos terríveis, mas também se destacou no futebol. Vamos ficar de olho hoje (9), quando ele vai enfrentar o Flamengo. Que venham boas histórias nos campos, e que as lembranças das Malvinas continuem sempre em sua mente e em seu coração!
Fonte: uol.com.br