Invasão do CT do Santos e suas Consequências para os Jogadores
Na tarde da última segunda-feira (28), um grupo de torcedores organizados do Santos resolveu invadir o CT Rei Pelé. O motivo? Cobrar os jogadores e a diretoria pelos resultados ruins nas últimas partidas. O Santos está em uma situação complicada, ocupando a 19ª colocação do Campeonato Brasileiro, com apenas quatro pontos em seis jogos jogados.
Uma Situação Preocupante
Nos últimos tempos, as invasões a centros de treinamento têm se tornado uma prática cada vez mais comum no futebol brasileiro. Infelizmente, essas ações muitas vezes terminam em episódios de violência contra jogadores e funcionários. O que começa como um protesto por resultados insatisfatórios, pode acabar em cenas de intimidação e até agressões físicas.
E, convenhamos, esse cenário precisa ser olhado com atenção, principalmente pelos clubes. Afinal, como empregadores, eles têm a responsabilidade legal de garantir um ambiente de trabalho seguro para seus colaboradores, sejam eles jogadores, comissão técnica ou outros funcionários.
O que Diz a Lei?
De acordo com Maurício Corrêa da Veiga, do escritório Corrêa da Veiga Advogados, os jogadores podem pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho se a segurança não for garantida pelo clube. "O clube tem deveres previstos na legislação desportiva. O atleta tem o direito de ir e vir sem seu corpo ser ameaçado. Se o clube não zela pela integridade dos seus empregados, os jogadores podem buscar a rescisão indireta do contrato, o que pode causar sérios problemas financeiros para o clube", explica ele.
Por outro lado, Ana Mizutori, advogada desportiva da AK Direito, complementa que a responsabilidade do Santos em relação à invasão deve ser analisada com base nas medidas de segurança que estavam em vigor. "Se ficar provado que houve falha na segurança que permitiu a invasão e resultou em danos, o clube pode ser responsabilizado. Os torcedores que participaram da invasão também podem enfrentar problemas legais por ações como invasão de propriedade e outros crimes relacionados", diz ela.
A Invasão em Detalhes
O tumulto começou quando os torcedores chegaram correndo e soltando fogos de artifício. Eles conseguiram entrar pelo campo da base, onde um amistoso estava rolando. Mas os titulares, que haviam jogado na derrota de 2 a 1 contra o Bragantino, estavam em outra área fazendo atividades. Os invasores não conseguiram acessar o hotel ou a academia.
A situação só foi controlada após alguns minutos com a ajuda da Polícia Militar. "Cerca de 100 torcedores acessaram pelo portão lateral e tiveram um contato direto com os jogadores. Chegamos logo depois, e não houve feridos nem depredação, mas vamos registrar um Boletim de Ocorrência", explicou o porta-voz da PM, que também relatou que os torcedores agiram de forma errada.
O Que Diz a Torcida Jovem
A Torcida Jovem, que é a principal torcida organizada do Santos, assumiu a autoria do protesto e soltou um áudio explicando suas intenções. "A ideia era agir sem violência para provocar um impacto. Queríamos conversar com jogadores, comissão técnica e diretores. Infelizmente, só conseguimos falar com o Pedro Martins. Tentamos convocar também o Marcelo Teixeira, mas ele não compareceu. A nossa expectativa é que a vontade e responsabilidade dos jogadores se reflitam em resultados positivos", comentou o porta-voz da organizada.
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Fonte: uol.com.br