Um Senador Cassado Que Virou Dígitos e Mandos de Jogo no Brasil
Como Tudo Começou
A trama começou com um simples erro de informação. Em 2022, o Cruzeiro decidiu mandar uma de suas partidas da Série B para Brasília. Na época, sob o comando de Ronaldo Fenômeno, a diretoria confiou que o caminho até a gestão do Estádio Mané Garrincha seria Luiz Estevão. Mas quem é esse cara? Deixa eu te contar!
Luiz Estevão, o primeiro senador cassado da história do Brasil, é dono do Brasiliense, um clube que já foi vice-campeão da Copa do Brasil e chegou à Série A do Campeonato Brasileiro em 2005. Na hora do contato para organizar o jogo, ele estava em prisão aberta, mas já havia se afastado do futebol. O que ninguém esperava era que ele aceitasse organizar essa partida.
Aquela partida atraiu 22.432 torcedores, pouco mais de um terço do total de lugares do estádio, e gerou uma renda líquida de R$ 1,56 milhão. Para Estevão, isso foi só o começo.
"Percebemos que havia um potencial: todos os grandes clubes brasileiros têm torcedores em Brasília. Depois do sucesso daquele jogo, começamos a conversar com outros times e com a CBF para trazer mais jogos pra cidade", disse Luiz em uma entrevista ao UOL.
O Mercado de Mandos de Jogo
Desde então, Estevão se tornou uma figura chave no que se pode chamar de "mercado oculto" de mandos de jogo no Brasil. Até agora, ele já organizou mais de 50 partidas. Por exemplo, no próximo domingo vai rolar Vasco x Palmeiras no Mané Garrincha, com o Cruz-Maltino recebendo R$ 2 milhões – e ainda pode ganhar mais R$ 500 mil se a torcida comparecer!
Embora Estevão mantenha os valores em sigilo, as cifras costumam ser altíssimas. Olha essa história sobre um jogo do Campeonato Carioca:
- Roni, ex-jogador do Fluminense, ofereceu R$ 300 mil para tirar uma partida do Rio.
- Estevão achou que o evento valia R$ 3,2 milhões, pagando R$ 2 milhões ao Flamengo e R$ 1,2 milhão ao Volta Redonda.
Esses números mostram por que Luiz Estevão tem um bom relacionamento com muitos presidentes de clubes.
Para os times mandantes, a organização de cada partida é um desafio. Eles precisam lidar com custos de arbitragem, água, luz, e mais. Os grandes clubes conseguem cobrir essas despesas, mas os menores, às vezes, saem no prejuízo sem uma boa torcida.
Muitos times aproveitam o calendário para ganhar uma grana extra com jogos grandes. Quando saiu a tabela da Copa do Brasil de 2025, o presidente de um time "modesto" de Maracanaú já estava mesclando mensagens com Estevão para um jogo importante contra o Internacional.
Metrópoles Sports: A Empresa de Luiz Estevão
Pra tocar todo esse trabalho, Luiz Estevão criou a Metrópoles Sports. A empresa não apenas age em Brasília, mas já explorou outros estádios, como o Kleber Andrade, em Cariacica. O modelo de negócio é simples:
- A Metrópoles oferece um cachê fixo para os clubes e arca com os custos logísticos, como voos fretados.
- Em troca, lucra com a bilheteria e outras receitas do estádio, como lanches e bebidas.
Ele acredita que as principais fontes de receita são a bilheteira e os patrocínios, que ajudam a divulgar a Metrópoles. Vale lembrar que a operação não interfere nos jogos do Brasiliense, que este ano jogou só campeonatos locais.
Desafios e Oportunidades
Os primeiros meses do ano são sempre intensos. A CBF criou novas regras que restringem a transferência de jogos nas etapas finais do Brasileirão, o que deixou os clubes ainda mais atentos às oportunidades.
"Sete jogos do Carioca que organizei em 2025 não tiveram saldo positivo, mas consigo arrecadar patrocínios que não entram no borderô. Por isso não dá pra dizer que tudo teve prejuízo", explica.
É um jogo de riscos, e a saturação de algumas cidades pode ser um dos problemas. No entanto, Estevão se orgulha da qualidade de seus eventos: “Fizemos mais de 50 jogos até agora e todos foram um sucesso em organização e segurança”.
Recentemente, o Metrópoles Sports fechou contrato para a Supercopa do Brasil, que inicialmente ia rolar na CBF, mas os planos mudaram. Estevão ficou a par de um novo processo depois que a CBF rejeitou propostas de locais como os Estados Unidos ou Arábia Saudita. Hoje, a CBF define o local dos jogos, mas a Metrópoles cuida de tudo: logística, segurança e venda de ingressos.
Um Passado Controverso
Luiz Estevão, aos 75 anos, tem um passado que, vamos dizer, é bem turbulento. Cassado em 2000 por envolvimento em escândalos de corrupção, ele viu a vida mudar, mas não escondeu sua história.
"Fui preso cinco vezes, passei seis anos na cadeia. Todo mundo sabe disso e não escondo. Isso é público e não me constrange falar. Mas nunca tive que responder sobre minha habilidade de cumprir compromissos", compartilha.
A cassação foi por quebra de decoro parlamentar e desvio de mais de R$ 150 milhões. Depois de muitos recursos, ele foi preso pela primeira vez em 2016 e, após um longo processo, obteve um indulto em 2023 por ter cumprido parte da pena e por já ter mais de 70 anos.
"Eu tirei proveito de um esquema, mas não fui o principal responsável. Não era eu quem conduzia as obras", afirma. Hoje, ele está fora da política e não tem planos de retornar. "O melhor é seguir em frente, sem olhar para trás", conclui.
E assim, Luiz Estevão se reinventa no futebol brasileiro, mostrando que, mesmo com um passado controverso, é possível se redimir e fazer dinheiro com criatividade!
Fonte: uol.com.br