Um Aspecto Pouco Comentado da Genialidade de Abel Ferreira
Quando o Palmeiras foi massacrado pelo Botafogo no Nilton Santos durante o segundo turno do Brasileirão em 2023, muitos não hesitaram em chamar Abel Ferreira de maluco. No intervalo, o time já estava perdendo de 3x0 e o Botafogo estava tão à vontade que poderia ter feito cinco ou seis gols! A realidade? A mesma equipe que saiu apanhando do vestiário voltou com tudo e garantiu uma virada épica: 4 a 3! E não parou por aí, semanas depois, estavam levantando o troféu de campeão brasileiro.
A Coragem de Não Mudar
Quem, em sã consciência, deixaria a equipe como estava durante o intervalo? Ninguém! Mas Abel tem um conhecimento profundo do grupo que tem. Ele sabe trabalhar a cabeça dos jogadores, moldando-os aos seus métodos. Abel não tem pressa, e essa estratégia foi eficaz com muitos atletas, desde os talentos da base até os que chegaram da Europa.
Se você não entende o estilo do Palmeiras sob a direção de Abel, infelizmente, você não joga. O rabugento treinador se recusa a fazer mudanças até que os jogadores absorvam completamente a sua visão e seus conceitos – e isso pode levar tempo.
Exemplo de Superação: Vitor Roque
Vamos falar do Vitor Roque, por exemplo. Na partida contra o Cerro pela Libertadores, em 7 de maio, ele perdeu um gol que até os jovens do sub-15 não deixariam passar. Era de deixar qualquer um envergonhado! Durante o intervalo, muitos achavam que tirar o garoto era a opção mais sensata, já que ele não estava conseguindo render e a torcida estava pegando no pé. Porém, Abel optou por deixá-lo em campo.
E, mesmo sem confiança, ele voltou tropeçando em tudo. As pessoas ao seu redor estavam pensando: "Abel, tira o menino, tá complicado!" Mas o treinador foi firme. Nos momentos derradeiros do jogo, Vitor se redimiu e fez um gol marcante! Um verdadeiro exemplo de resiliência. O Palmeiras ganhou de 2 a 0, mantendo-se firme na liderança tanto da Libertadores quanto do Brasileirão.
A Importância da Confiança
Se Abel tivesse substituído Vitor Roque, ele talvez teria agradado a torcida, mas poderia ter prejudicado a confiança do jovem. Manter o garoto em campo foi um sinal de respeito e confiança, e Vitor reconheceu isso. Será que esse momento charmoso vai ser o ponto de virada para o atacante? Eu apostaria que sim!
O Método Abel
Abel não é só gênio do futebol; ele é um verdadeiro psicólogo de jogadores. No seu time, não tem espaço para estrelas. Ele evita elogios excessivos, preocupado que alguém possa "se achar" demais. A construção do caráter e da moral dos jogadores é uma de suas prioridades.
Abel pode ser visto como alguém um pouco rabugento, e sim, às vezes é até meio grosseiro. Mas essa “chatice” tem um objetivo: criar uma cultura de equipe forte. O “nós” que ele cultiva é uma sociedade. Para entrar ali, é preciso seguir um conjunto de regras de lealdade, respeito e solidariedade. E isso não é só sobre ele ou a comissão técnica, mas sobre os valores do clube.
A Conexão com a Torcida
Adotando essa postura, Abel se conecta a um dos valores mais importantes para a torcida palmeirense: o espírito de colônia. O torcedor palmeirense se vê como parte de um grupo unido, um exército disposto a lutar por seu símbolo. Para aqueles que fazem parte do grupo, Abel é amoroso e reciprocidade é fundamental.
Afinal, ele não dá a mínima para a fama de “chato”. Ele precisa desse espaço para moldar seu clã. A confiança, para ele, é uma via de mão dupla, e ele espera o mesmo dos jogadores. Será que Estevão e Endrick seriam tão talentosos sem passar pelos ensinamentos de Abel? Provavelmente não. E a ideia de aplicar esses métodos na seleção? É bem difícil de acreditar que daria certo sem um grupo coeso e uma diretoria que confie plenamente nele.
Em resumo, Abel Ferreira não é apenas um técnico; ele é um verdadeiro maestro que sabe como lidar com o ser humano. E é dessa forma que ele transforma um bom time em um grande time!
Fonte: uol.com.br