Caso Bobadilla: Como um sul-americano pôde zombar da fome?
Toda vez que rola um caso de xenofobia, eu fico em choque. Mas quando isso acontece entre pessoas que deveriam se entender, a sensação é ainda mais intensa. Imaginem só: um paraguaio jogando por um time brasileiro, em um torneio sul-americano, chamando um venezuelano de "morto de fome". É de tirar qualquer um do sério e me deixa sem palavras.
E já que estou sem palavras, não custa lembrar que o Bobadilla está sob investigação por esse desrespeito contra o Navarro, na partida entre São Paulo e Talleres, no Morumbi. Para ilustrar um pouco mais essa situação absurda, que tal falarmos de números?
Um cenário de pobreza e fome na América Latina
Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em 2023, 27,3% da população latino-americana estava vivendo em situação de pobreza. Isso representa uma leve queda de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior, e, pasmem, é o menor índice desde que começaram a coletar esses dados. Ou seja, mais de um quarto da nossa população enfrenta dificuldades. E essa, incrível, é a melhor situação que já conseguimos.
De acordo com o Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial (SOFI 2024), pelo menos 2,5 milhões de pessoas estão passando fome no Brasil. Em 2023, esse número era alarmante: mais de 17 milhões! Na América Latina, 6,2% da população vive na chamada insegurança alimentar extrema. Isso significa que, ao acordar, tem gente que não sabe se vai conseguir colocar comida no prato durante o dia.
O Paraguai de Bobadilla e a Venezuela em crise
No Paraguai, onde Bobadilla é de origem, a taxa de pobreza (incluindo a pobreza extrema) chega a 20% – é a menor taxa desde 1997. E estima-se que cerca de 700 mil paraguaios estejam enfrentando a fome.
Agora, a situação na Venezuela é ainda mais crítica. E, sinceramente, isso deveria fazer qualquer sul-americano se compadecer com os vizinhos, ao invés de zombar da desgraça alheia.
Espero que o caso de ontem seja bem investigado e que a xenofobia e o racismo fiquem bem longe do futebol em um continente onde tão muitas pessoas ainda estão lutando contra a fome.
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Fonte: uol.com.br