“Acho que ele fez certo”, diz Barbieri sobre a recusa de Jardine ao Botafogo
Uma nova jornada para Barbieri
Maurício Barbieri embarcou em 2024 em sua primeira aventura internacional como técnico, comandando o Juárez, no México, de fevereiro a outubro. Durante esse período, ele teve a companhia de outro brasileiro que tá bombando no futebol mexicano: André Jardine.
Jardine, que é o ex-treinador da seleção olímpica, já está no México desde 2022. Depois de um trabalho bacana à frente do San Luis, ele foi chamado pelo América, um dos titãs do futebol mexicano. Desde então, Jardine fez história por lá, conquistando três títulos do Campeonato Mexicano e quase levando o time ao tetracampeonato, mas acabou perdendo para o Toluca na final.
Em entrevista ao programa Zona Mista do Hernan, no Canal UOL, Barbieri não teve dúvidas ao elogiar Jardine. “Me atrevo a dizer que, dos treinadores que estão no México agora e dos que passaram recentemente, o Jardine é o principal”, afirmou.
A recusa do Botafogo
Com todo esse sucesso, não foi surpresa quando o Botafogo chegou com a proposta para Jardine no início de 2025. Mas, para a surpresa de muitos, ele decidiu continuar no América e deu um “não” ao Glorioso.
Barbieri acredita que Jardine fez a escolha certa ao ficar por lá. “Ele está em um dos maiores clubes do México, o que é incrível em termos de torcida. Tem condições ótimas de trabalho e uma liga muito forte, além de oportunidades em grandes torneios. Acho que ele tomou a decisão correta de não vir para o Botafogo, principalmente pela instabilidade que existe aqui”, comentou Barbieri.
Confronto no México
Durante seu tempo no México, Barbieri teve a chance de enfrentar Jardine uma vez e acabou saindo derrotado por 2 a 1. A experiência que ambos tiveram no exterior é algo bem raro para os técnicos brasileiros atualmente. Muitos deles estão perdendo espaço fora do país, com poucas chances nas grandes ligas da Europa.
Barbieri aponta um grande desafio que os técnicos brasileiros enfrentam: a dificuldade para conseguir a liberação para trabalhar em outros lugares. “Muitas vezes, a licença da CBF que vale aqui no Brasil não é reconhecida em outros lugares. A maioria das federações estrangeiras está fechada para brasileiros”, disse.
Licenças e barreiras
Ele acrescentou: “Aqui, precisamos obter as licenças da CBF para comandar as equipes, enquanto treinadores estrangeiros não precisam passar pelo mesmo processo”. Barbieri ainda trouxe à tona um relato de colegas que não conseguiram trabalho em Portugal, mesmo possuindo as licenças A e PRO da CBF, porque lá não eram reconhecidas. “Os técnicos tinham que começar do zero o curso da UEFA, o que inviabilizava a contratação”.
Muitos profissionais até tinham contratos firmados, mas ao chegarem lá, a burocracia impedia que eles assumissem os clubes. Em alguns casos, o que aconteceu foi que o técnico ficou no banco, mas não podia assinar a súmula; isso tinha que ser feito por um assistente.
A situação dos treinadores estrangeiros
Enquanto isso, os técnicos estrangeiros não enfrentam essas barreiras. Em 2025, nove dos 20 times da Série A começaram o torneio com um treinador de fora. “Isso realmente incomoda nós, treinadores brasileiros. Não temos nada contra os gringos, mas essa reciprocidade não acontece aqui. Muitos estão treinando sem as licenças exigidas”, finalizou Barbieri.
E assim, com toda essa conversa, fica claro como a realidade dos técnicos brasileiros é complicada. Vamos acompanhando como as coisas evoluem nesse cenário!
Fonte: uol.com.br