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Palmeirense nos EUA: Clima Tenso na Chegada a Orlando

Na manhã desta quinta-feira (12), recebi o relato de um palmeirense que vive nos Estados Unidos e pediu para que sua história fosse publicada de forma anônima por medo de possíveis retaliações. Ele, que possui Green Card, compartilhou sua experiência após voltar de uma viagem a Londres.

Desembarque Complicado em Orlando

O que deveria ser uma simples chegada se transformou em uma experiência única e, digamos, tensa. Após o pouso, a galera começou a seguir normalmente pelo corredor do aeroporto em direção à imigração. Contudo, ao chegar na porta que dá acesso ao terminal, encontraram um bloqueio: a porta estava trancada.

Com o calor insuportável — parecia que estávamos em uma sauna de 50ºC —, os passageiros começaram a trocar olhares confusos. Depois de alguns minutos, a porta finalmente se abriu, e as primeiras pessoas, provavelmente americanos, passaram. Mas aí, tudo virou uma bagunça: quatro agentes do CBP (Customs and Border Protection) começaram a gritar, mandando o pessoal voltar!

Uma Seletividade Estranha

Depois de um tempo, os agentes reabriram a porta, mas com uma instrução bem clara: “one at a time” (um por vez). Eles liberaram as pessoas aos poucos, incluindo crianças, como se estivéssemos entrando em uma área de segurança máxima.

Logo atrás do meu amigo, um grupo de torcedores do Palmeiras, todos com suas camisas verdes, foi direto para a "salinha" dos interrogatórios, sem explicação alguma. Conversando com torcedores do Fluminense mais adiante, ele percebeu que, mesmo sem serem retidos, ficaram quase uma hora presos na fila, enquanto americanos e europeus passavam livremente. A sensação de exclusão e desconforto era clara.

A Crise do Futebol nos EUA

Após essa experiência, ele leu uma notícia no The Athletic que deixou tudo mais claro: a FIFA está vendendo ingressos a $3,50 para jogos pelos quais outras pessoas pagaram até $180. O motivo? Um esforço desesperado para tentar encher os estádios. E isso acontece porque o público internacional está enfrentando dificuldades até para chegar.

De acordo com o USA Today, a ICE (agência de controle de imigração) e o CBP estão realizando triagens rigorosas com torcedores estrangeiros, especialmente os sul-americanos, que acabam sendo barrados, interrogados ou desestimulados a viajar. O resultado disso? Estádios vazios e um verdadeiro fracasso de público.

A FIFA e a Realidade do Futebol

O que é mais frustrante é ver o presidente da FIFA alinhado com políticas que vão contra os torcedores. Em vez de defender o público, ele parece mais interessado em agradar figuras políticas que ignoram o impacto que essa exclusão tem em um evento que deveria ser uma “celebração global do futebol”.

A verdade é que o povo americano nunca foi muito ligado ao futebol — e nem o chama assim. O sucesso da liga masculina aqui depende muito da presença de imigrantes latinos, muitos dos quais estão em processo de obtenção de documentos e, portanto, se tornam vulneráveis a serem considerados ilegais. A ICE está de olho neles e isso gera medo, até mesmo de frequentar os estádios.

Reflexão Final

Esse não é apenas um problema de marketing ou vendas, mas a pura realidade de um sistema que afasta o público que realmente sustenta o futebol por aqui. A FIFA pode iluminar estádios, usar drones e telões grandiosos, mas enquanto a entrada de pessoas ao país e aos lugares para jogar não for resolvida, tudo isso se tornará apenas teatro.

No final das contas, não adianta realizar um torneio mundial se o mundo não pode entrar.

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Fonte: uol.com.br

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