Wellington fala sobre o doping no Inter e critica ex-presidente do clube
Um momento difícil na carreira
Um dos piores capítulos da trajetória do volante Wellington aconteceu quando ele jogava pelo Internacional. Em 23 de setembro de 2015, durante uma partida da Copa do Brasil contra o Palmeiras, o jogador, que estava emprestado pelo São Paulo, testou positivo para doping. O exame revelou a presença de hidroclorotiazida e clorotiazida, substâncias que são diuréticas e ajudam a camuflar outras drogas no corpo. Curiosamente, o volante Nilton também foi pego com as mesmas substâncias.
A explicação de Wellington
Em uma conversa no programa Zona Mista do Hernan, do Canal UOL, Wellington detalhou o que aconteceu. Segundo ele, não havia tomado nada fora do que o clube lhe oferecia:
“Quando você está num clube e toma a suplementação que eles te dão, muitas das coisas são manipuladas por uma clínica. É normal. Nessa manipulação, você corre risco de ser contaminado, por mais que seja um clube gigantesco como o Internacional, e não é culpa do clube”, explicou o atleta de 34 anos.
As consequências do caso
O episódio ocorreu em novembro de 2015 e resultou em uma suspensão de cinco meses para ambos os jogadores. Esse foi um período complicado para Wellington, que também lidou com uma grave lesão no joelho, ficando fora de campo por um ano.
Ele ainda comentou sobre sua decepção com a situação: “O que mais me chateou não foi só ser pego no antidoping, mas não entender o que estava acontecendo. Doping dá a impressão de que o jogador está drogado e burlando a lei. Pela minha inocência na época, pensei que poderia ser o sal manipulado que o clube dava para evitar cãibras. [...] Se eu tivesse ficado quieto, quem sabe teriam descoberto que era isso. Mas quando eu falei, sumiram com tudo, até com água dentro do clube”, desabafou.
Relação com o clube
Wellington ficou bastante incomodado com a forma como o Internacional lidou com a situação. Ele, que teve uma passagem de maio de 2014 a 2015, onde jogou 38 partidas pelo time, sentiu a pressão:
“Quando você é pego no doping, não pode vincular sua imagem com o clube. Eu joguei na quarta e na quinta fui comunicado que não poderia entrar pela porta. Não foi algo saudável, apenas me proibiram, como se eu fosse a pessoa errada dentro do clube”, lamenta o volante.
Críticas ao ex-presidente
Ele também não poupou críticas ao ex-presidente do Internacional, Vitorio Piffero, e sua gestão. Recentemente, Piffero e outros membros da antiga diretoria foram condenados a 12 anos e três meses de prisão por estelionato e lavagem de dinheiro, pordesviar os recursos do clube em benefício próprio:
“A diretoria que fez isso comigo roubou o Inter, isso foi comprovado depois e eles foram presos. Era um presidente que não olhava nem cumprimentava os jogadores, uma gestão estranha”, disse Wellington.
Superando o passado
Apesar do impacto negativo do doping em sua carreira, Wellington conseguiu superar essa fase e, de certa forma, fazer as pazes com a história:
“Não guardo mágoa do Inter. Hoje entendo que tinha um propósito maior. Passaram muitos anos e amadureci bastante, tanto na vida pessoal quanto na carreira após esse episódio. E depois eu ganhei o título da Copa do Brasil com o Athletico no Beira-Rio contra o Inter. De certa forma, foi como se eu soubesse que voltaria e sairia pela porta da frente”, finalizou o volante.
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Fonte: uol.com.br