E quando o patrocinador de um torneio é dono de um clube? Teve isso no Mundial!
Você já parou para pensar no dilema que rola quando um clube brasileiro se depara com a situação de enfrentar rivalidades em torneios internacionais, e esses rivais, além de tudo, são patrocinadores do próprio campeonato? Pois é, isso aconteceu no Mundial de Clubes e o cenário gerou um burburinho danado!
O que rolou no Mundial de Clubes?
Imagina só a cena: você é presidente de um clube brasileiro e enfrenta, em um torneio internacional, times cujos proprietários também patrocinam a competição. Assim foi a recente edição do Mundial de Clubes.
Para entender melhor essa história, vamos aos detalhes. Nos Estados Unidos, a relação ficou logo clara:
- PSG: Comprado pela Qatar Sports Investments, que é controlado pelo governo do Qatar. E adivinha? O Mundial de Clubes tem como patrocinador a Qatar Airways, que também é do governo do Qatar.
- Al Hilal: 75% das ações estão nas mãos do Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, que também patrocina o torneio.
- Bayern de Munique: Um dos acionistas é a Adidas, que tem 8,33% de participação. E olha só, a Adidas também serve como fornecedora de material da FIFA.
E qual é o problema, afinal?
Aqui que a coisa se complica. No Mundial, quanto mais longe um time vai, mais grana ele recebe. A FIFA está disposta a distribuir nada menos que US$ 1 bilhão em prêmios. Isso significa que, com esses patrocinadores fazendo a grana girar, seus clubes podem ganhar muito com o desempenho esportivo.
Por exemplo, o PSG estava na final contra o Chelsea, com a chance de faturar uma bolada considerável. Mas fica a dúvida: será que esses patrocinadores têm alguma influência nas decisões esportivas? Teoricamente, não.
A realidade é que o mercado parece confortável com essa dinâmica e acredita na integridade e credibilidade do esporte, mesmo com essa interligação de financiamento. Vamos falar um pouco sobre o lado jurídico desse dilema.
Qual é o lado jurídico dessa confusão?
De acordo com o advogado André Megale, que já atuou como diretor de compliance da CBF, o que geralmente define se há um conflito de interesse é a análise dos regulamentos. Não tem nenhuma regra proibindo um patrocinador de ser também dono de um clube. O único impedimento é que não pode haver dois times sob a mesma propriedade.
Por exemplo, o León foi excluído do Mundial porque era do mesmo grupo que o Pachuca.
Megale acredita que a influência de um patrocinador pode, sim, gerar dúvidas nas decisões, e que isso é algo indesejável. Mas, por enquanto, não tem sido visto como um problema. O próprio desenrolar da competição escapou de acusações de favorecimentos em várias circunstâncias.
E o que pensam os especialistas?
Outro advogado, Marcos Motta, vice de administração do Flamengo, acrescenta que as naturezas jurídicas de clubes e patrocinadores são diferentes, o que torna essa intersecção um fenômeno crescente. Se a FIFA não viu problemas, isso cria uma perspectiva de aceitação no mercado.
Enquanto isso, a cena era de pura emoção! Jogadores do PSG e do Real Madrid entraram em campo com toda a garra, e duas pessoas vestidas como comissários de bordo da Qatar Airways estavam lá, dando aquele up na visibilidade da marca.
O que os especialistas têm a dizer sobre isso?
Lênin Franco, ex-diretor de marketing da CBF, destacou que precisamos separar emoção de gestão. No fim das contas, essas relações comerciais são apenas parte do jogo. Patrocinadoras não devem influenciar na gestão de clubes nem nas decisões técnicas das competições. Ele ainda afirma que o mercado está em evolução, e marcas buscam visibilidade significativa.
Por sua vez, Ivan Martinho, professor de marketing esportivo na ESPM, vê essa "fome" de estar presente em múltiplos setores como algo positivo para os negócios. Mesmo assim, sempre haverá divergências nas opiniões e percepções. Torcedores sentem a paixão e a imprensa se utiliza de um olhar crítico para analisar a situação.
E, para encerrar, quando a FIFA foi procurada, optou por não se manifestar. Assim, seguimos acompanhando o desenrolar desse imbróglio no mundo do futebol!
Fonte: uol.com.br