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·Fernando del Cantão·

Copa do Mundo 2026: Um Conto de Abusos

A grande festa do futebol está chegando, mas a cada dia fica mais complicado ignorar os absurdos que estão rolando nos bastidores da Copa do Mundo de 2026. Todos lembramos das críticas feitas sobre o Qatar, com suas políticas duvidosas e desrespeito aos direitos humanos. Mas agora, o que se passa nos Estados Unidos faz o país árabe parecer um conto de fadas.

O Que Rolou Recentemente?

Nos últimos dias, a terra de Donald Trump tem mostrado seu lado nada amigável para os convidados do evento. Vamos dar uma olhada no que aconteceu:

  • A seleção iraniana foi proibida de passar a noite nos EUA e teve que se hospedar no México, mesmo jogando em território americano.
  • Vistos foram negados para pelo menos 15 integrantes da delegação do Irã.
  • A cota de ingressos destinada aos torcedores iranianos foi retirada. Para se ter uma ideia, todas as federações têm direito a 8% da cota dos ingressos.
  • Aymen Hussein, um herói da seleção iraquiana que ajudou o time a se-classificar, foi interrogado por sete horas, se sentindo tratado como “um terrorista”. Para quem não sabe, ele perdeu o pai e o irmão na guerra.
  • O fotógrafo oficial da seleção do Iraque também ficou de fora, depois de ser questionado por impressoras por 10 horas.
  • A seleção do Uzbequistão foi revistada com detetores de metais e cães farejadores antes de entrar em um estádio em Nova York, enquanto a seleção da Holanda, que jogava o amistoso, não passou pela mesma situação.
  • E, como se não bastasse, o árbitro somali Omar Artan, escolhido pela FIFA para apitar a Copa, teve sua entrada negada, mesmo depois de receber um passaporte diplomático da embaixada dos EUA.

A FIFA, que deveria zelar pela integridade do evento, simplesmente lavou as mãos: “A FIFA não se envolve nos processos de imigração dos países sedes.” É difícil entender o silêncio de Gianni Infantino, que, ironicamente, entregou um Prêmio da Paz a Trump. Parecem mais ocupados agradando políticos e patrocinadores do que preocupados em garantir que todos tenham acesso à festa do futebol.

Reflexões Finais

Enquanto tudo isso acontece, fica a dúvida: como a imprensa estaria cobrindo esses casos se estivessem rolando no Qatar, Irã, Iraque, Somália ou Uzbequistão? É triste perceber que as atrocidades cometidas por países ricos e brancos recepcionam muito menos atenção da mídia.

E assim seguimos, com a festa do futebol chamada Copa do Mundo se aproximando, mas não para todos.


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Fonte: UOL -

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