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A Nova Aposta de Leila Pereira no Palmeiras: Um "All-In" Arriscado

Recentemente, em um evento na sede social do Palmeiras, Leila Pereira fez uma declaração que resume bem sua visão sobre a gestão do clube: “Toda nossa gestão estará no coração de vocês”. Essa fala não só emociona como também transmite a força que ela tem como presidente. Logo após, Leila explicou: “por ser uma gestão que sempre pensou nos associados”. Não é à toa que essa abordagem já é bem conhecida entre os torcedores.

Leila soube conquistar a simpatia dos sócios ao misturar títulos no futebol com reformas, shows e eventos. Afinal, os associados são os seus eleitores, né?

Mudanças à Vista

Mas aqui vai o grande ponto: mudanças estão à vista no Palmeiras. O clube pode estar mais bonito e com uma sede social ativa, mas as coisas no futebol e nas finanças não andam tão bem quanto nos primeiros anos de sua gestão.

Leila decidiu arriscar e, de certa forma, sacudir a torcida. Ela foi lá e contratou jogadores como Marlon Freitas, Barboza e Árias, além de manter atletas que receberam propostas tentadoras. Agora, o desempenho esportivo ganhou um peso ainda maior na balança das contas do clube. É uma jogada ousada, mas uma jogada. A diretoria jura que é um risco calculado, porém… quem controla as variáveis desse jogo?

O que está em jogo não é a falência do clube, mas uma possível reestruturação no elenco. Nos bastidores, o foco de Leila é manter Abel Ferreira. Ela não pensa em demiti-lo, mesmo com a pressão crescendo em cima do treinador e a sensação de que seu apoio está diminuindo. Para ela, se o Palmeiras investiu para ganhar, faz pouco sentido mudar de técnico agora, especialmente quando considera que Abel é o responsável por transformar esse investimento em títulos.

O Grande Desafio: Dinheiro e Títulos

A obsessão de Leila é a Libertadores. Com um mandato ainda de um ano e meio pela frente, ela vê a falta de um novo título continental como uma mancha em sua administração. Por isso, decidiu priorizar o elenco atual, mesmo diante de boas oportunidades no mercado.

Jogadores como Allan e Flaco López receberam propostas, mas não foram liberados. Essa estratégia mantém o potencial competitivo do time, mas acaba criando um efeito colateral financeiro. De acordo com uma matéria publicada no UOL, a diferença entre o que o Palmeiras tem para receber e o que precisa pagar ultrapassa R$ 500 milhões. Ao mesmo tempo, o orçamento elaborado pela gestão previa R$ 400 milhões em vendas de jogadores para equacionar as contas. Como isso não aconteceu, a luz amarela acendeu, e o clube já começou a adiantá-las para manter o fluxo de caixa.

E Agora, José?

Aqui chega a parte intrigante da estratégia de Leila. O Palmeiras, conhecido por ter uma administração financeira sólida, agora depende do desempenho esportivo para resolver um problema financeiro. Algo que até pouco tempo parecia impensável.

A verdade é que essa conta pode fechar, mas vai exigir um monte de coisas para isso. A administração pode estar confiante de que tudo está sob controle; afinal, o histórico financeiro do Palmeiras é bom, e o clube tem ativos valiosos. As soluções podem vir de ganhar campeonatos, vender jogadores da base ou negociar atletas que não estão em uso. Entretanto, cada uma dessas saídas depende de um fator crucial: o tempo.

Se o Palmeiras conquistar títulos, a situação financeira fica mais confortável. Um triplete poderia gerar mais de R$ 300 milhões em prêmios, além de aumentar as receitas. No entanto, esse dinheiro ainda não está no caixa e não pode ser contabilizado antes de ser conquistado. E lembre-se: nem tudo chega ao caixa do clube devido a impostos e bônus.

Apressando o Passo

Ou seja, agora temos uma espécie de aposta cruzada. Leila conta com Abel para trazer os títulos, e a saúde financeira do clube fica atrelada a esses resultados. Se o Palmeiras for eliminado cedo das competições, a pressão nas contas aumentará e a necessidade de vender jogadores em dezembro se tornará ainda mais urgente. Isso reduzirá o poder de escolha da presidente.

Temos que lembrar que o mercado europeu é mais ativo em meio de ano, e ninguém pode garantir qual será o valor de mercado de Allan, Flaco López ou de qualquer outro jogador daqui um tempo.

O Que o Futuro Reserva?

Essa situação é reminiscentede 2019, quando o Palmeiras teve que reavaliar sua política de investimentos após um período de altos gastos sob a administração de Maurício Galiotte. O clube conseguiu se reorganizar, e logo depois conquistou a Libertadores em 2020, em uma campanha que deu destaque aos jogadores da base.

Mas Leila está em um momento diferente. Seu tempo está correndo e, ao contrário do que aconteceu em 2019, não há certeza de vender jogadores promissores como Endrick ou Estêvão tão cedo. Ela tem apenas um ano e meio de mandato e pode estar de olho em uma possível ida para o Vasco, o que faz muitos acreditarem que seu ciclo no Palmeiras está chegando ao fim.

Talvez seja por isso que sua aposta é tão intensa. Leila sabe que não terá a chance de corrigir tudo o que acha que falta em sua gestão se não conquistar a Libertadores.

O que fica claro é que o Palmeiras sempre propagou que uma boa administração deveria blindar o futebol dos altos e baixos. Contudo, agora a lógica parece estar mudando. Agora, o futebol precisa entregar resultados para ajudar a manter as finanças em ordem.

Se os títulos vierem, Leila pode se gabar de ter tomado as decisões corretas no momento certo. Mas se não vierem, o clube terá que lidar com uma conta que pode se tornar pesada e uma janela de dezembro onde vender jogadores pode deixar de ser uma estratégia e se tornar uma necessidade.

E esse é o verdadeiro risco do “all-in” de Leila. O problema não é apostar alto. O desafio aparece quando o resultado da aposta passa a influenciar seriamente a saúde financeira do clube.

Fonte: uol.com.br

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