A Saída dos Patrocinadores do Santos: O Efeito Neymar Valeu a Pena?
A grande pergunta que fica com a saída de patrocinadores do Santos é: o clube realmente soube tirar proveito do famoso "Efeito Neymar"?
Quando o craque chegou, a expectativa – tanto dentro quanto fora de campo – era nas alturas. O presidente Marcelo Teixeira e outros dirigentes estavam confiantes de que Neymar "se pagaria" com ações de marketing e adesões ao programa de sócio-torcedor. Mas a realidade parece bem diferente. Hoje, o Santos deve pelo menos R$ 90 milhões a Neymar e enfrenta um desafio: tem cinco espaços vazios no uniforme. A previsão inicial era ter 100 mil sócios, mas o número não passou de 70 mil e agora está em apenas 50 mil.
Os Perdas para o Santos
Recentemente, o Santos sofreu perdas significativas, incluindo a saída da Pley By Ney (empresa da família Neymar), além de outras como EQR, Nissei, Álamo e Corpx. Embora o Santos não confirme oficialmente, a estimativa é de um prejuízo de pelo menos R$ 20 milhões anuais. O UOL conversou com especialistas em publicidade e parceiros do Santos para descobrir o que aconteceu com o "efeito Neymar". As opiniões se dividem em duas principais vertentes:
- O boom de Neymar passou.
- O Santos não conseguiu administrar bem a presença da celebridade.
O Que Aconteceu de Verdade?
Marcelo Palaia, que tem uma vasta experiência em marketing esportivo, trouxe uma visão interessante: é fundamental separar o efeito Neymar do efeito Santos. A chegada de um jogador desse porte traz um impacto incrível, como se fosse um grande lançamento. Isso gera curiosidade, exposição na mídia e um surto nas redes sociais, além de atrair marcas para a festa. Mas o perigo está em pensar que esse pico de interesse se mantém sozinho.
Uma pessoa que trabalhou no marketing do Santos comentou em off que o clube "se empolgou". O acordo com Neymar foi feito antes do esperado, e isso deixou o Santos despreparado para aproveitar ao máximo essa situação única. Hoje, o mercado já se acostumou com Neymar por aqui.
Exemplificando a Falta de Preparação
Um caso específico foi o relacionamento do Santos com a Umbro, que já tinha produtos definidos para 2025 quando o clube pediu para relançar a famosa camisa azul de 2011, que se tornou um hit nas vendas. Embora tivesse sido um sucesso, houve falta de peças na produção prevista e a ideia de criar um uniforme 3 em homenagem ao time de 1995 simplesmente não saiu do papel.
A pressa foi tanta que, enquanto o Santos saía da Série B com um orçamento limitado, o clube parecia acreditar que o "efeito Neymar" seria a tábua de salvação. Mas, com isso, fizeram pedidos exorbitantes aos patrocinadores. O resultado? Um aumento repentino no número de sócios que fez o site travar, lançamentos de camisas sem quantidade suficiente e parceiros se deparando com exigências que extrapolavam a realidade do clube.
Os Números Não Mentem
Mesmo com os problemas, a receita do Santos não parou de crescer: o clube faturou R$ 678,5 milhões em 2025. Em 2023, já sem Neymar, foram R$ 407 milhões, e em 2024, R$ 459 milhões. A administração atual está confiante de que os números deste ano podem igualar ou até superar os de 2025, apesar das perdas de patrocinadores. O marketing acredita que parceiros perdidos podem ser substituídos com acordos ainda melhores.
Nos bastidores, porém, há dirigentes com um olhar mais pessimista. Palaia dá uma boa analogia: "Pense em descobrir que você vai receber uma final de Copa do Mundo na sua casa na próxima semana. É claro que você vai querer aproveitar, mas dificilmente conseguirá extrair todo o valor possível sem um tempo para planejar."
O Impacto dos Patrocinadores
Falando em patrocinadores, o Santos lidou recentemente com duas empresas ligadas a Neymar: Blaze e Pley by Ney. A Blaze, site de apostas que assinou com o Peixe antes mesmo da chegada de Neymar, deixou o clube em 2025, apesar do jogador seguir como garoto-propaganda. A Pley by Ney, que estampava meiões e faixas de capitão, não renovou seu contrato este ano.
A justificativa para a saída de ambos os patrocinadores pareceu ser a mesma: a empresa cresceu e não vê mais necessidade de investir em marketing, ou simplesmente não faz sentido pagar ao Santos enquanto o clube tem uma dívida com Neymar.
E aqui vai um total desvio de foco: Neymar Pai, que costumava estar muito presente nas atividades do Santos, decidiu dar um passo para trás. E até mesmo projetos importantes, como as obras da Vila Belmiro, agora estão sendo geridos com a equipe do clube, sem a ajuda da NR Sports.
Um Futuro Incerto
Além de todos esses obstáculos, o Santos passou por algumas situações embaraçosas em sua gestão, como a relação com empresas "Viva Sorte" e "7K" e o famoso caso de venda casada, que gerou investigações do Ministério Público. Portanto, sem a garantia de Neymar em 2027 e com erros explícitos nos últimos tempos, a pressão em torno do Santos para repetir a receita de 2025 e preencher os espaços no uniforme é real.
Algumas empresas fecharam parcerias com Santos e Neymar, como Havan e Loovi, mas também não estão mais na equipe. A pergunta que precisa ser respondida é: por que essas marcas foram embora? A resposta mais eficaz do Santos não está em discursos, mas sim em trazer novas empresas e demonstrar que pode oferecer um valor comercial que vai além da presença do Neymar. Como Palaia diz, "Talvez o verdadeiro teste comercial comece agora."
Fonte: uol.com.br