Reflexões sobre Carlos Sadi e o São Paulo FC: O que está rolando?
Carlos Sadi, que está sendo cogitado para a vice-presidência do São Paulo, decidiu abrir o coração — ou melhor, despejar uma coletânea de preconceitos em uma entrevista. Ele parece achar que faz parte de um grupo que tem todas as respostas para os problemas do mundo, mas esquece que muitos desses problemas são, na verdade, frutos de visões como a dele. Vamos dar uma olhada no que ele disse.
O que ele revelou?
Sadi soltou a frase:
"O São Paulo perdeu o glamour. 'Ah, mas você é saudosista?', não. Eu não sou saudosista. Se eu não tivesse glamour, eu ia torcer pro Corinthians e morar em Itaquera, me desculpa. Eu sou mesmo elitista, você me desculpa. Não tô ofendendo, mas eu fui criado no São Paulo FC do Paulo Planet Buarque, do Francisco de Assis Malta. Agora, você botou o baixo clero pra trabalhar aqui dentro, velho. Desculpa, você casou com a mulher do Paraisópolis e a família inteira está morando com você, deu pra entender?".
E aí, o que fazer com isso? Tem tanto preconceito embutido que dá até dó. Vamos por partes:
- Elitismo: O cara admite. Ele se considera acima da média.
- Classismo, racismo e machismo: Tudo em uma única tirada. Um combo de discriminações para quem tiver estômago para ouvir.
O São Paulo e sua Realidade
Vamos ser francos: O São Paulo FC é a periferia. É a galera da favela, é a massa. Sem ela, o time não seria nada. Não adianta ficar pensando que o clube é feito só por quem mora nos Jardins ou no Morumbi. Quem afundou o clube foram exatamente aqueles grandes gestores brancos e ricos dessas áreas. E agora, Sadi quer o quê? Sequestrar ainda mais esse time gigantesco que tem uma torcida tão apaixonada?
E, sinceramente, que glamour é esse que ele fala? Faria Lima? Os casarões decadentes do Morumbi? As famílias que se beneficiaram da escravidão?
Uma Sinceridade Questionável
A maneira como Sadi vomita preconceitos é alarmante. Ele chama isso de “sinceridade”, como se isso fosse desculpa. É o famoso estilo "tiozão do pavê" que não consegue se segurar, como se o mundo fosse todo dele. A elite que ele idolatra, por sua vez, está no comando do Brasil há 500 anos. Eles são contra cotas, contra direitos das trabalhadoras domésticas, e promovem a flexibilização de leis trabalhistas. Sentem saudades da escravidão, mas se seguram para não serem muito explícitos. Isso é bem preocupante.
Quem pode salvar o São Paulo?
Se o destino do São Paulo depende de figuras como Sadi, a gente pode muito bem fechar as portas. Querem resolver a crise ética, política, econômica e moral que tá afundando o time? Olhem para a torcida! Escutem as mulheres de Paraisópolis que não conseguem ir aos jogos por conta do preço dos ingressos. Ou os entregadores de aplicativo que saem correndo pela cidade com suas camisas do Tricolor, mesmo sem poder assistir aos jogos porque o acesso às imagens custa caro.
Esqueçam os Sadis. Eles são apenas pessoas fragilizadas, que estão percebendo que nada será como antes e, em sua insegurança, titubeiam em uma enxurrada de opiniões questionáveis.
Vamos refletir sobre o que foi dito
Olhei por aí e vi que o Sadi disse que foi mal interpretado. Mas, sejamos francos, não tem interpretação errada no que ele falou. Está tudo muito claro e, sinceramente, é bem preocupante. Dizer que nós entendemos mal é simplesmente chamar a torcida de burra.
A mulher de Paraisópolis que ele menciona de forma tão desprezível tem muito mais dignidade em seu ser do que ele. E é preciso diferenciar coragem de covardia, porque chamar essa posição de sincera é bem complicado.
O Brasil oligárquico está derretendo, e o futebol, com certeza, não vai ficar de fora disso.
E aí, o que você acha disso tudo? Estamos prontos para uma mudança? ??
Fonte: uol.com.br