Bap e a polêmica das apostas no Flamengo
O Luiz Eduardo Baptista, mais conhecido como Bap, é famoso por suas declarações bombásticas. Em uma entrevista ao jornal espanhol As no começo do ano, ele não hesitou em dizer que "o Flamengo está no Brasil hoje por acaso, porque o Flamengo é uma ilha no Brasil". Acreditando que seus colegas europeus são uma grande fonte de inspiração, ele completou: "Em cada decisão que tomo, penso: 'Se o Flamengo estivesse na Europa, que decisão eu tomaria?'".
As preocupações com a proibição das bets
Recentemente, Bap bateu um papo no MengoCast, na FlaTV, e trouxe à tona suas preocupações após a proibição das apostas esportivas, estabelecida por uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25). O Flamengo, por sinal, foi um dos clubes que assinou uma carta chamada "Fim do futebol", publicada dias antes dessa MP.
"O banimento, unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é muito difícil a gente entender", afirmou Bap, expressando sua apreensão sobre os contratos futuros que o clube assumiu. E ele foi direto ao ponto: "Como vou pagar o Paquetá em janeiro?"
Falando em Paquetá, o jogador foi contratado do West Ham por cerca de R$ 315 milhões, e essa quantia está parcelada até 2028. Em 2025, o Flamengo já havia alcançado a impressionante marca de R$ 2 bilhões em faturamento bruto, e no ano seguinte, decidiu investir quase um terço de bilhão em um só jogador. Agora, Bap se diz indignado por não ter sido levado em conta na decisão de Lula.
Impacto das apostas no Brasil
Vale lembrar que as apostas contribuíram com R$ 141 bilhões ao PIB brasileiro. No entanto, os efeitos colaterais disso geraram um custo social de R$ 38,8 bilhões, incluindo programas de saúde mental e prevenção ao suicídio. Essa situação provocou a morte de algumas pessoas que, por conta das dívidas acumuladas com as apostas, não conseguiram se recuperar. A ludopatia é uma doença séria, exacerbada pelos mecanismos de recompensa das apostas e pela facilidade de acesso a esse vício.
Reflexão sobre Paquetá e as decisões de Lula
Agora, quanto ao Paquetá… É complicado. O Bap menciona um atleta que foi acusado (sem provas) de manipulação de jogo para beneficiar o mercado de apostas como exemplo.
No fim das contas, que absurdo é ver o presidente da República tomar uma decisão que visa a população em geral (incluindo a torcida do Flamengo) sem levar em conta o impacto no orçamento do clube mais rico do país (que segundo Bap, está "aqui por acaso"). Falar em parcelas de pagamento da contratação mais cara do futebol brasileiro e não avaliar contratos futuros diante de um problema tão atual é, no mínimo, revoltante.
Agora, sempre que eu for tomar uma decisão, vou me perguntar: "Vai dar para pagar o Paquetá?"
Fonte: uol.com.br